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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

O "novo paradigma energético" e os velhos métodos PDF Versão para impressão
Produzido por Marisa Matias   

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A União Europeia procura "um novo paradigma energético" para o século XXI capaz de ser uma alternativa à dependência dos combustíveis fósseis e, simultaneamente, mais amigo do ambiente  e susceptível de travar as degenerações climáticas. Prometedor programa que se debate há longas semanas em comissão do Parlamento Europeu e que a Comissão e o Conselho levaram na semana que passou ao plenário a Estrasburgo. Se boas são as intenções, já o mesmo não pode dizer-se dos métodos e dos objectivos, pelo menos no momento actual. Comissão e Conselho apresentaram um projecto envolvido em secretismo quanto a financiamento e processo político e daí não saíram; a maioria parlamentar confundiu ostensivamente política com tecnocracia e bloqueou o debate a partir daí. A resolução parlamentar não apenas adoptou as posições da Comissão e do Conselho como deu ainda mais alento à opção nuclear incluindo-a nas tecnologias sustentáveis livres de emissões de carbono - integrando-a assim abusivamente nas energias seguras e amigas do ambiente.

 

 Mais informação:

http://www.beinternacional.eu/index.php/destaques/359-os-insondaveis-misterios-da-reinvencao-da-energia

O SET-Plan da Comissão Europeia pretende "reinventar o sistema energético" europeu com base sobretudo na investigação e desenvolvimento das tecnologias de "baixo carbono", livres de emissões poluentes que prejudicam a qualidade do ar, provocam aquecimento global e alterações climáticas.

O documento estabelece uma série de áreas de trabalho consideradas "fundamentais" como sejam desenvolver a eficiência energética através de fontes mais baratas e de emissões reduzidas; aposta na investigação e financiamento; captação e armazenamento de carbono; energia nuclear; bioenergias; energias solar, eólica e hidráulica.

Desde logo ficam de fora desta programação algumas áreas que deveriam ser igualmente fundamentais para articular com as restantes, como a da redução do consumo energético, a renovação de formas de distribuição e acesso e também a microgeração energética que se processa a nível local aproveitando condições propícias consoante as regiões.

Em relação à energia nuclear, uma aposta de governos e grandes indústrias que se tornou ainda mais impetuosa a seguir à cimeira de Copenhaga, a questão é abordada em dois aspectos centrais: o desenvolvimento da investigação do processo de fusão nuclear, considerado muito mais económico e, sobretudo, muito mais seguro e favorável em termos de resíduos; e a inserção do nuclear no grupo das tecnologias de baixo carbono.

A fusão nuclear é, há muito, um sonho não concretizado apesar do intenso trabalho de investigação que continua a ser feito, mas sem obtenção de condições físicas e económicas viáveis. Neste momento, a apresentação deste aspecto num projecto concreto e aplicável a curto e médio prazo é apenas um sofisma.

Resta a opção pura e dura pelo nuclear que existe, assente agora nas virtudes ditas de "segurança", "eficácia" e "limpeza" da terceira geração de reactores que, sobretuto a partir dos Estados Unidos e de França, avança por todo o mundo. Energia de baixo carbono, é certo, mas emissora de resíduos cujos riscos de contaminação grave do ambiente continuam a ser alvo de discussões acesas e receios justificados.

Os sectores conservadores e de direita ligados à grande indústria alegam que suscitar este debate é uma questão meramente ideológica que não deve perturbar o desenvolvimento da "reinvenção da energia". Esta prosição prevalece no Parlamento Europeu.  

Quanto às condições de aplicação e financiamento do "novo paradigma", as instituições europeias mantêm o secretismo dentro de comportamentos que evidenciam em absoluto o respeito pelo "paradigma neoliberal". O novo sistema energético deverá assentar nas parcerias público-privadas, através das quais se mantém a pouca transparência em questões como de onde vem e para onde vai o dinheiro, como se percebeu na passada semana em Estrasburgo. O comissário presente respondeu a estas dúvidas dizendo que o dinheiro para estes projectos "está onde está", sendo esse sítio localizável "nas grandes indústrias e nos Estados membros". Aplicando a realidade vigente a esta linguagem hermética e misteriosa sabe-se que do lado do financiamento estarão, em grande parte, os contribuintes; como estes são, simultaneamente, os consumidores percebe-se que, como sempre, irão pagar duas vezes: na produção e no consumo; do lado dos lucros estará, como sempre, a indústria privada.

O "paradigma energético" pretendido pelas instituições europeias será "novo", como prometem, e nele caberá a ressurreição do nuclear; o "paradigma económico" e o "paradigna político" serão os que já temos e bem conhecemos, até prova em contrário.

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