| Não se arranja um corta-Relvas? |
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| Produzido por The Week, 04/02/2011 | |||
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O eurodeputado Miguel Portas afirmou que, apesar de todos os defeitos, “Portugal ainda não é um país que seja a coutada de Miguel Relvas” a propósito da demissão da Direcção de Informação do serviço público de radiodifusão na sequência de ataques governamentais ao exercício da liberdade jornalística. “A confiança dos ouvintes numa estação de rádio decorre do trabalho dos jornalistas e o papel de uma Direcção de Informação é o de defender essa independência como a menina dos olhos”, definiu Miguel Portas. Na sua intervenção semanal no programa Conselho Superior da Antena Um, o eurodeputado da Esquerda Unitária (GUE/NGL) eleito pelo Bloco de Esquerda abordou ainda questões como a entrevista do primeiro ministro ao semanário Sol e os efeitos da vaga de frio sobre os europeus mais desprotegidos. Quanto à entrevista de Passos Coelho, Miguel Portas considera que a estratégia de “bom aluno” perante a troika está errada porque “sem mais tempo para amortizar a dívida e sem renegociar a própria dívida Portugal acabará por não aguentar e quanto mais tarde o primeiro ministro reconhecer essa inevitabilidade pior para o país”. O eurodeputado acrescentou que a ideia de que Passos Coelho vai conseguir, “contra ventos e marés, obter aquilo que Manuela Ferreira Leite considera um milagre é algo que está mais nas posses de Deus do que nas de Passos Coelho”. Tanto mais, acrescentou o eurodeputado, que “de Bruxelas não chegam nem boas ideias nem boas notícias”. A última cimeira não dedicou ao crescimento “nem um só Euro novo, nem só um cêntimo fresco”. O que cresceu, disse, “foi a retórica, não foi o dinheiro” e até o chefe dos deputados conservadores no Parlamento Europeu afirmou que não compreende “como pode tentar-se ilegalizar o keynesianismo ou o próprio socialismo, como se pode inscrever nas Constituições que é proibido existirem políticas assentes na despesa pública”. Trata-se, sublinhou Miguel Portas, “da deriva autoritária de Berlim”. Em relação ao facto de já terem morrido mais de 160 pessoas devido à vaga de frio na “Europa rica”, o eurodeputado do Bloco de Esquerda lembrou que se trata de “pessoas esquecidas, idosas, pobres, muito solitárias, com muito menos condições de defesa”, o que “nos deve fazer reflectir sobre os ataques aos programas de apoio social que têm vindo a ser feitos não só em Portugal mas um pouco por toda a Europa”. É nesta altura, acrescentou, “que é importante existir aquilo a que se chama o Estado providência, com Serviço Nacional de Saúde, com abrigo para os sem abrigo”.
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