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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Merkel e a Europa: "Uma orquestra no concerto dos mercados" PDF Versão para impressão
Produzido por The Week, 28/01/2012   

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Angela Merkel, chanceler alemã, expôs a sua visão da Europa a seis jornais europeus: “uma orquestra que toque no concerto mundial dos mercados” sem preocupação com “a beleza da música ou a importância da orquestra” porque “eles querem ouvir qualquer coisa conveniente”. Para uma estadista que se considera melómana também a profissão de fé é neoliberal: o maestro é o mercado mundial. Numa entrevista em que não fala uma vez no Banco Central Europeu e transforma a tese punitiva numa questão de solidariedade europeia, a chanceler faz depender o crescimento e o emprego da aplicação das leis laborais em vigor no seu país e no Leste da Europa e das reformas estruturais com base nas privatizações. A entrevista foi publicada em vésperas da reunião do Conselho Europeu sobre o tratado de governação económica.

Entrevista na íntegra em francês

Entrevista na íntegra em espanhol

Versão online inglesa em The Guardian

A entrevista programática da chanceler alemã, apresentada com a solenidade de uma oportunidade concedida por uma espécie de primeiro ministro europeu, foi publicada nos jornais Le Monde, Suddenstsche Zeitung, Guardian, La Stampa, El País e Gazeta Wyborcza. Nela, Angela Merkel fala das origens da crise, do diagnóstico que, em seu entender, já está feito, na passagem ao crescimento e ao emprego com o reforço da união monetária e política e da solidariedade e expõe a sua visão da Europa num futuro que não definiu e ao fim de umas quantas etapas que não enumerou.

A chanceler alemã lamenta que no início da crise o debate tenha sido consumido sobre o modo com a Europa teria sido vítima dos “especuladores”, palavra grafada oficialmente entre aspas.

O diagnóstico que faz é diferente e, em seu entender, poderia ter sido concluído rapidamente: durante muito tempo na Europa “atirou-se poeira para os olhos”, os “mercados estiveram sem reagir”, inclusivamente em relação à questão grega, e “desrespeitou-se o pacto de estabilidade”.

Hoje, a solução é “encontrar o bom equilíbrio entre a solidariedade europeia e a responsabilidade nacional”.

Nesse caminho é necessário ainda “acalmar a situação na Grécia e reconquistar desse modo a confiança dos mercados”. Entretanto já se conseguiu “uma coisa boa” que foi a de “desenhar uma posição comum quanto às questões da disciplina orçamental e redução das dívidas”. Mas como “isso não chega, “é preciso crescimento e emprego reencontrando a competitividade a nível mundial pela capacidade de inovação dos seus produtos”.

Angela Merkel resumiu a questão da “solidariedade” aos Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) e respectivo sucessor, o MES, Mecanismo de Estabilidade Financeira, que definiu como ideias da Alemanha, e ao tratado de governação económica em elaboração, através do qual “nenhum país poderá tomar a seu cargo dívidas de outro”. As euro-obrigações ou eurobonds “não são solução”, reafirmou, o Tribunal Europeu de Justiça é que “controlará o cumprimento dos orçamentos nacionais”.

“Os mercados testam a nossa vontade de solidariedade”, advertiu a chanceler. “Devemos procurar os equilíbrios entre todos e, onde for possível, com o Reino Unido”, acrescentou na sua quase exclusiva referência à posição de Londres na fase actual.

Quanto ao crescimento e ao emprego, a chanceler alemã introduziu o assunto com um exemplo: os 40 por cento de jovens espanhóis desempregados resultam de leis não adequadas à economia. O caminho para resolver problemas como esse já estão definidos e testados, explicou. “A Alemanha e a Europa de Leste fizeram dolorosas reformas nos seus mercados de trabalho” e os resultados são, para Angela Merkel, razão para que toda a União Europeia as assumam.

Quanto ao crescimento económico, a chefe do governo alemão recomendou apoios às pequenas e médias empresas e à criação de empresas, desenvolvimento de programas de empregos para jovens e sobretudo, profundas reformas estruturais através “da terciarização a privatizações”.

Para Angela Merkel “já é um enorme progresso que possamos hoje comparar a União Europeia a uma orquestra”. Porém, acrescentou na zona final da entrevista, “não devemos falar da beleza da música nem da importância global da orquestra; devemos antes de mais tocar no concerto dos mercados mundiais – eles ouvir qualquer coisa conveniente”.

Quanto a uma visão de futuro de uma “Europa política”, sem prazos estabelecidos nem etapas definidas, a chanceler alemã defende a transferência de competências para a Comissão, que “será um governo europeu para competências europeias”, um “Parlamento forte” e um Conselho Europeu – de chefes de Estado e de governo – “que funcionará como uma espécie de segunda câmara parlamentar”. O Tribunal Europeu de Justiça será “o Supremo Tribunal”.

 

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