| Londres vai expulsar diplomata israelita |
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| Terça, 23 Março 2010 14:30 | |||
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Falsificação de passaportes britânicos é o motivo
O Reino Unido vai expulsar um diplomata da Embaixada de Israel em Londres para marcar posição contra a clonagem de passaportes de cidadãos britânicos usados no assassínio do dirigente Mahmud al-Mahbu em Janeiro no Dubai. Ao tornar oficial esta posição o governo britânico confirma que tem provas do envolvimento dos serviços secretos de Israel no crime.
A iniciativa do governo de Londres foi anunciada em primeira mão pela BBC e divulgada oficialmente por David Miliband, secretário dos Negócios Estrangeiros. Segundo a informação da BBC, a investigação da Agência Britânica para o Crime Organizado apurou que responsáveis oficiais israelitas estão envolvidos na clonagem e utilização ilegal de 12 passaportes de cidadãos britânicos na operação realizada em 19 de Janeiro no Dubai contra a vida do dirigente do grupo islâmico. As autoridades do Dubai, que desde o início revelaram terem 99 por cento de certeza de que o assassínio foi cometido pela Mossad, identificaram 27 passaportes falsos ou clonados de várias nacionalidades: britânica, irlandesa, francesa e australiana. Israel negou sempre o envolvimento no crime mas o culto pela Mossad em sectores da população do país reforçou-se como moda desde então e não foi desencorajado, antes pelo contrário, pelas autoridades - que promoveram acções de merchandising em sites oficiais do exército e dos próprios serviços secretos. Também as respostas aos anúncios pedindo colaboradores dos serviços de espionagem cresceram exponencialmente. A expulsão não recairá sobre o embaixador israelita em Londres, Ron Prosor, segundo as informações disponíveis. Depois de terem negado inicialmente o envolvimento no crime as autoridades israelitas remeteram-se ao silêncio, facto que o correspondente da BBC em Jerusalém, Jeremy Bowen, considera significativo "num país onde se fala tanto". Segundo este jornalista, a posição do governo britânico "é uma mensagem forte" às autoridades israelitas. Mahmud al-Mahbu, considerado o fundador do braço armado do Hamas, foi assassinado no dia 19 de Janeiro num quarto de hotel em Dubai por um grupo de pessoas munidas de passaportes estrangeiros e cujas imagens foram captadas pelos serviços de vigilância do hotel. Amostras de sangue da vítima enviadas para França revelaram que a morte foi provocada pela tortura com choques eléctricos e estrangulamento com fios eléctricos. "Jerusalém não é um colonato" Na visita que está a efectuar a Washington, o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, utilizou terça-feira a tribuna da AIPAC, o maior lobby judaico norte-americano, para repetir que a colonização nos territórios ocupados, designadamente Jerusalém Leste, não será congelada. "Jerusalém não é um colonato, é a nossa capital", disse o chefe do governo confirmando, de novo, o desrespeito por numerosas resoluções da ONU. "O povo judeu construiu Jerusalém há três mil anos e o povo judeu constrói Jerusalém actualmente", acrescentou. Segundo Netanyahu, Jerusalém é presentemente uma cidade onde o sector Leste é uma realidade que não consegue distinguir-se do todo, pelo que não faz sentido, em sua opinião, dizer que a construção afecta territórios que vão estar em negociação com os palestinianos. Nesse sentido, apelou ao presidente palestiniano Mahmud Abbas que aceite participar nas negociações indirectas mediadas pelos Estados Unidos, o que significaria, de facto, o reconhecimento da anexação israelita de Jerusalém Leste. A parte palestiniana, apoiada no direito internacional, considera que Jerusalém Leste é um território ocupado desde 1967 e nele deverá ser instalada a capital do futuro Estado independente. Netanyahu continuou a defender a necessidade de construir "medidas de confiança" entre as partes envolvidas, encontrando eco para essa posição no actual executivo itinerante do Quarteto, Tony Blair, que repetiu a tese em Bruxelas durante um debate sobre o Médio Oriente organizado pelo Parlamento Europeu.
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