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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Tribunal Russel debate Palestina PDF Versão para impressão
Segunda, 01 Março 2010 13:08

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As primeiras sessões internacionais do Tribunal Russel sobre a Palestina iniciaram-se segunda-feira de manhã em Barcelona. Juristas e personalidades de vários países europeus e do Médio Oriente, incluindo israelitas, avaliam, debatem e deliberarão sobre a situação actual da Palestina no contexto internacional, as iniciativas tomadas por Israel em relação aos territórios palestinianos, incluindo Jerusalém Leste, e também as incidências do acordo de associação entre a União Europeia e Israel.

Pode acompanhar os debates em directo aqui

http://www.bcnsolidaria.tv/tv/

 

 

A iniciativa está programada em oito sessões até quarta-feira, cada uma delas dedicadas a um tema relacionado com a questão palestiniana como a atitude de Israel perante as resoluções da ONU, a situação em Gaza e os efeitos da "operação ferro fundido", a colonização nos territórios e a delapidação dos recursos naturais e o muro da Cisjordânia. As relações União Europeia-Israel serão debatidas em duas sessões.

O Tribunal Russel sobre a Palestinia é um tribunal de consciência para "julgar as violações do direito internacional de que é vítima a população palestiniana e que a privam de um Estado soberano". É uma instituição constituída por figuras reconhecidas e prestigiadas de numerosos países, incluindo Israel, "e a sua legitimidade não resulta de nenhum governo ou partido político mas apenas do prestígio, carreira e compromisso com os direitos humanos dos membros que a integram".

O Comité de Apoio Internacional ao Comité Russel da Palestina (TRP) junta mais de cem personalidades de todas as áreas, designadamente Boutros Ghali, ex-secretário geral da ONU, Mohammed Bedjaui, ex-presidente do Tribunal Internacional de Justiça, Noam Chomsky, catedrático do MIT, o cineasta Ken Loach e o escritor José Saramago. Existem mais de vinte comités nacionais do tribunal em países como França, Alemanha, Bélgica, Irlanda, Líbano, Argélia, Espanha, Austrália, África do Sul, Palestina e Israel.

A criação do Tribunal Russel sobre a Palestina tem como ponto de partida "a falta de aplicação pelos Estados e pela comunidade internacional" da "Opinião Consultiva do Tribunal Internacional de Justiça de Haia emitida em 9 de Julho de 2004 e da Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas aprovada em 20 de Julho do mesmo ano. O quadro jurídico no qual se pronunciam os participantes e o juri integra resoluções do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral das Nações Unidas, normas do direito internacional consuetudinário e dez convenções internacionais de que Israel faz parte, designadamente a Carta das Nações Unidas, a Convenção para a Prevenção e Sanção do Crime de Genocídio, a Convenção de Genebra sobre a Protecção de Civis em Tempo de Guerra e a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial".

A "Opinião Consultiva" do Tribunal de Haia reconhece a ilegalidade do muro de separação construído por Israel no interior da Cisjordânia. A resolução da Assembleia Geral da ONU assume essa opinião do Tribunal de Haia e exige aos Estados membros que cumpram as obrigações jurídicas decorrentes. Depois disso, a maioria dos países que aprovaram a resolução responderam às exigências emitindo apenas declarações de condenação de Israel. 

O juri da sessão de Barcelona integra Michael Mansfield, advogado britânico; Gisèle Halimi, advogada e embaixadora na UNESCO; José Antonio Martín Pallín, magistrado do Supremo Tribunal de Espanha; Ronald Kasrils, dirigente anti-apartheid e ministro da África do Sul; Mairead Corrigan-Maguire, da Irlanda do Norte e Prémio Nobel da Paz em 1976; Cynthia McKinney, ex-congressista dos Estados Unidos a candidata presidencial do Partido Verde; Aminata Traoré, activista, escritora e ex-ministra do Mali; o actor espanhol Alberto San Juan; e o juiz jubilado chileno Juan Guzmán Tapia.

O primeiro Tribunal Russel realizou-se em 1967 para investigar os crimes de guerra cometidos no Vietname e julgá-los à luz do direito internacional. Foi impulsionado por Bertrand Russel, Prémio Nobel da Literatura em 1950 e presidido por Jean-Paul Sartre. Numerosos intelectuais da época como Lelio Basso, Julio Cortázar, Lázaro Cardenas e Somone de Beauvoir participaram na iniciativa. Apesar de não ter validade jurídica, actuou como um tribunal popular de consciência perante as injustiças e a impunidade das violações do direito internacional.

O Tribunal Russel da Palestina foi lançado a partir de um apelo de Ken Coates (actual presidente da Fundação Bertrand Russel), Nurit Peled (israelita prémio Sakharov para a liberdade de expressão em 2001) e Leila Shahid (delegada da Palestina na União Europeia).

Entre os membros da Comissão de Testemunhas da sessão de Barcelona do TRP figuram o coronel irlandês Desmond Travers, director do Instituto Internacional para as Investigações Penais de Haia e membro da delegação que elaborou o Relatório Goldstone das Nações Unidas sobre Gaza; a deputada britânica independente Clare Short; e Derek Summerfield, professor honorário do Instituto de Psiquiatria de Londres e investigador associado do Centro de Estudos de Refugiados da Universidade de Oxford.

A sessão de Trabalhos de Barcelona decorre no Colégio de Advogados da capital catalã. As próximas sessões do TRP estão previstas para Londres, Nova Iorque e África do Sul.

 

 

 

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