| Líbia "parece o Lìbano de há 30 anos" |
|
|
| Sexta, 06 Janeiro 2012 16:54 | |||
|
Washington ofereceu-se para “ajudar” o novo regime a “integrar as milícias” nas forças de segurança de um país onde a proliferação de grupos armados sem controlo se assemelha ao Líbano nos períodos mais intensos de guerra civil. A “inquietação” dos Estados Unidos surpreendeu círculos diplomáticos europeus de Bruxelas uma vez que a situação de instabilidade e de confrontos armados já não é nova, dura praticamente desde que foi declarada a existência de um novo regime, e era previsível devido às circunstâncias criadas no terreno pelas potências da NATO para derrubar Khaddafi. Além disso, o novo regime tem revelado ineficácia absoluta nas tentativas para desarmar as milícias ou integrá-las nas incipientes forças militares e de segurança. Victoria Nuland, uma das porta-vozes da senhora Clinton, testemunhou a “inquietação” do Departamento de Estado ao constatar que “alguns confrontos prosseguem”. Abdelhakim Belhaj, o ex-companheiro de armas de Bin Laden que desempenha as funções de governador militar de Tripoli informou que os combates travados nas últimas horas no centro da capital provocaram pelo menos quatro mortos e cinco feridos. A situação é muito mais complexa do que as consequências directas dos confrontos. Muitos bairros residenciais estão fechados à circulação, a população vive em sobressalto e com receio de sair às ruas, as leis em aplicação são as decididas pelas milícias conforme as zonas que controlam. Muitos destes grupos armados ocuparam edifícios governamentais, residências e instalações utilizadas por dignitários e instituições do antigo regime. Montaram igualmente postos de controlo a delimitar as suas zonas territoriais de influência. “Isto é o Líbano dos anos setenta e oitenta”, comparou um veterano jornalista europeu citado por agências internacionais. As milícias dispõem não apenas das armas que lhes foram distribuídas durante a guerra contra Khaddafi mas também de armamento ligeiro e pesado retirado dos arsenais do exército do anterior regime. O ministro do Interior, Fauzi Abdelali, anunciou recentemente um programa de integração das milícias nas forças armadas, mas os grupos recusam-se a devolver as armas, uns invocando que as compraram, outros alegando que não têm confiança nas novas autoridades e querem manter base de manobra para agir consoante os seus desígnios. Segundo cálculos empíricos, as milícias aglutinam cerca de 50 mil homens armados associados por afinidades religiosas, tribais, sectárias e regionais. Alguns estes grupos armados são originários de outras cidades, como Misrata e Zintan e afirmam que apenas deixarão Tripoli quando estiver formado um exército nacional. O Departamento de Estado norte-americano tem feito saber às autoridades do regime que é necessário estabelecer um sistema centralizado de segurança. Responsáveis governamentais afirmam que esse é o esforço que têm vindo a fazer, sem êxito, uma vez que neste processo se joga uma densa teia de interesses e conflitos sectários, tribais e regionais. “É um assunto complexo”, resume o primeiro ministro Abdel Rahim al-Kib, para quem “a situação está sob controlo”.
|





