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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Fazer cidade, mesmo nunca tendo estado em Bagdad PDF Versão para impressão
Produzido por Marisa Matias   
Segunda, 22 Fevereiro 2010 12:42
Os encontros fazem-se de pessoas, de lugares e de tempos. Quem hoje caminhar numa das Praças de Bruxelas não ficará indiferente ao anúncio de uma peça de teatro prestes a estrear: "Nunca estive em Bagdad", do dramaturgo português Abel Neves. A peça conta-nos a conversa de um casal que em frente à televisão assiste às notícias da guerra do Iraque. Essas notícias acabam por confundir-se, inevitavelmente, com as suas vidas. Já foram várias as vezes que Abel Neves nos visitou em Coimbra através das suas peças, que contam vidas, concentram memórias. Veio-me, por isso, à memória as lutas que nos últimos anos se têm travado em Coimbra pelo direito à cultura.

É inevitável que, num contexto de crise económica e social profunda, nos digam que o exercício dos direitos acaba por ficar refém das necessidades imediatas. Em todos, sem excepção, se tem arrepiado caminho. Cada passo atrás representa um recuo de muitas e morosas conquistas. É por tudo isto que nunca é demais relembrar a importância da cultura e recuperar as causas que tanto nos fizeram mover nos últimos anos.

Continua por resolver o 'problema' da cultura em Coimbra e na região centro. Os poderes públicos demitiram-se de assumir essa função e tornaram-se elemento dificultador da criação artística, ao invés de a assumir como uma das suas principais mais-valias. Ao anterior vazio de ideias somou-se algo ainda pior: um silêncio profundo. O exercício da cidadania fica, por isso, cada vez mais limitado. Não há um plano para a cidade. Falta dignidade. A dignidade que todos e cada um de nós merece. Amesquinhar a cultura é amesquinhar-nos a todos. Falta o pão e falta o resto. Há sempre razões e essas são normalmente as da guerra. Neste caso, as da guerra dos direitos. Há que tratar de uns primeiro, os outros vêm depois. O problema é que, como bem ilustra o casal criado por Abel Neves, essa separação é irreal e fictícia. As vidas e os direitos privados estarão sempre reféns das conquistas ou das derrotas públicas.