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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

O power point PDF Versão para impressão
Produzido por Miguel Portas   
Sábado, 04 Fevereiro 2012 17:15

O Conselho Europeu de fim de Janeiro incluiu na sua agenda a palavra maldita dos últimos dois anos: “crescimento”. Terão os 27 chefes de Estado e de governo da União mudado de ideias? Convenceram-se que, afinal, temos um problema de crescimento? Entraram no campeonato do relançamento económico? Sabem, ao menos, se ele é compaginável com a austeridade?

Ou, prosaicamente, perceberam, como na anedota que se contava a propósito da União Soviética, que o que é preciso é agitar a carruagem para todos fingirmos que, afinal, ela avança? Esta segunda hipótese é, infelizmente, 27 vezes mais plausível do que a primeira. Há muito que ninguém muda de ideias no Conselho, pela simples razão de que, em tal sede, é proibido ter ideias. Quem as tenha guarda-as para si, quem não as tem, faz suas as de Berlim. Esta é a lei, este é o diktat.

Neste Conselho, Durão Barroso teve um momento de glória: pôde apresentar aos líderes europeus, em première mundial, um colorido power point. Tema da bonecada: o tal do “crescimento”. Se o leitor se imaginar na sala castanha do Conselho assistindo à aula do presidente da comissão, admito que até pudesse achar a novidade interessante. Mas se o leitor aí estivesse na condição de presidente da República ou de Primeiro-ministro, manteria a mesma opinião? Ou, pelo contrario, julgar-se-ia de retorno à escola? Esta não é uma pergunta retórica. Com excepção da primeira imagem, o power point de Durão Barroso tem um nível de complexidade adequado a uma turma de estudantes do ensino secundário. Ele diz mais sobre o nível de exigência intelectual e de informação europeia dos 27 do que mil discursos que cada um deles possa fazer sobre o sonho europeu. Deste ponto de vista, ainda acha piada à modernaça aula magistral de Barroso?

Um dos mapas do power point diz-nos que o desemprego juvenil anda pelas horas da morte. Dentro de meses, países como a Grécia e a Espanha, a Itália e Portugal apresentarão índices de emprego nesta faixa etária comparáveis aos existentes na faixa de Gaza. O mesmo power point mostra ainda que as politicas de que a UE dispõe para contrariar esta realidade são um programa de estágios, o Erasmus, outro de formação, o Leonardo, e ainda um de informação, o Eures. É como ir à caça de elefantes com fisgas. Para compensar, a comissão europeia propõe uma mão cheia de medidas... desde que elas não envolvam um euro de dinheiro fresco. É. O power point também nos diz que os custos do trabalho são a quinta preocupação dos empresários europeus e apesar disso, os governos fazem da sua compressão a reforma das reformas. Pois. Dentro da carruagem anda tudo aos pulos ver se ela abana. Abanar abana. Só não anda. Porque esta Europa não é dirigida a dois, mas pelo silêncio a vinte e cinco. Este, sim, é a força do Directório.