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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

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Produzido por Miguel Portas   
Sábado, 21 Janeiro 2012 16:26

Os governos decidiram escrever um novo Tratado. O inglês ficou de fora. Cameron escreveu direito por linhas tortas. Ele queria garantir a intocabilidade da bolsa de Londres e por esse motivo decidiu não subscrever um Tratado que, de resto, nem toca no assunto.

Sucede que um Tratado a 26 vale menos do que um Tratado a 27 e não pode ser incompatível nem contraditório com a legislação europeia em vigor. Tanto bastaria para que houvesse juízo, mas este é um bem escasso por essa Europa fora.

Perguntas: é preciso um novo Tratado para "estimular a disciplina orçamental, reforçar a coordenação das políticas económicas e melhorar a governação da zona euro", os objectivos anunciados para o novo texto? Vai ele dissipar as nuvens de crise que pairam pela Europa? E a "coisa" vai funcionar?

Primeira resposta: não, não é preciso nenhum novo Tratado para tais objectivos. Os governos e o Parlamento Europeu aprovaram um compacto de regulamentos sobre disciplina orçamental e coordenação económica e têm novos textos em preparação. Deputados de todas as bancadas expressaram as suas reservas sobre esta abordagem à margem das instituições da própria União Europeia. Na verdade, o Tratado só é expressamente necessário para incluir as metas de disciplina orçamental (limites ao défice e à dívida) nas Constituições nacionais ou em leis equivalentes, o que é no mínimo idiota porque as Constituições já reconhecem a superioridade da legislação europeia sobre as leis domésticas. Então porquê esta extravagância? Perguntem à senhora Merkel...

A segunda resposta também é negativa. O novo Tratado não resolve nenhum problema. Ele é mais um problema. A sua lógica, como a do Plano de Estabilidade e Crescimento que lhe serve de base, é recessiva. Para lá do limite de 3 por cento ao défice do Estado, ele inventa um novo conceito, o de "défice estrutural", que é qualquer coisa como aquele défice corrigido dos efeitos que o ciclo económico tem sobre as contas públicas. Há pelo menos 27 fórmulas possíveis de calcular este imaginativo saldo, que o Tratado quer a 0,5 por cento do PIB. Ambos ficarão, portanto, em vigor, afogando os países mais débeis. A esquerda, os verdes e os socialistas já tinham votado contra o pacote da coordenação económica que se referia ao primeiro dos défices. Seria incompreensível que agora dessem luz verde a um Tratado que só trata da disciplina orçamental e se esquece de qualquer disciplina para o investimento.

Finalmente, o esquema não vai funcionar. Hoje, ele envolve o Presidente do Conselho, o presidente da Comissão e o vice-presidente desta para a economia, além das cimeiras a 27, mais o Ecofin e as reuniões do Eurogrupo. Se o novo Tratado for avante juntem no caldeirão mais um presidente, o das novas "cimeiras do euro", e imaginem o que daí vai sair...