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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

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Produzido por Miguel Portas   
Sábado, 29 Outubro 2011 12:02

O que há de pior no próximo orçamento? Nem sei por onde começar.

Talvez pelo mais óbvio: temos um orçamento para aprofundar a recessão em que o país mergulhou. Pergunto: um orçamento que nos atira ainda mais para o fundo pode ser coisa boa?

No governo pensam que sim. Passos Coelho acha que o essencial é superar as metas da troika com distinção e antecipação. A troika previa uma quebra no produto de 2011 menor do que a que vai ocorrer e o mesmo filme se projecta para 2012. A razão é simples: o Governo está a ser mais troikista do que a troika.

Fixem este número: -2,8 por cento. Ele é falso. No próximo ano a economia portuguesa cairá 4 a 5 pontos. Por um lado, o próximo orçamento apoia-se numa estimativa muito generosa para as exportações. Sucede que os dois maiores clientes dos nossos produtos não se estão a dar bem. As previsões de crescimento para 2012 na Alemanha não chegam a 1 por cento e a Espanha promete regressar à recessão. Por outro lado, a compressão do poder de compra das famílias está a ser bem mais brutal do que o garrote desenhado pelos governadores de Bruxelas.

O aumento da jornada de trabalho não compensa o mau ano económico que aí vem. Por um lado, a medida de Passos Coelho carece, para existir, da aquiescência dos trabalhadores. A futura lei permitirá sem obrigar porque a carga horária é matéria de negociação colectiva. Por outro lado, o efeito económico é marginal. Com efeito, um acréscimo diário de meia hora gratuita reduz os custos totais da economia em 1,1 por cento. Na indústria transformadora – onde se concentram boa parte das empresas exportadoras – os salários são apenas 12,4 por cento dos custos de produção. O aumento previsto reduziria estes custos... em 0,8 por cento. Só empresários raivosos comprarão guerras por uma mão cheia de nada. Com efeito, o problema das nossas empresas não é o de terem trabalho a menos, mas o de estarem a funcionar abaixo da capacidade instalada.

Fixem agora outro número: 13,4 por cento, a projecção para o desemprego em 2012. É outra estimativa que peca por optimismo. O tecido empresarial português é extraordinariamente frágil. A par da crise de crédito, a quebra no consumo privado revelar-se-á fatal para a sobrevivência de dezenas de milhares de micro, pequenas e médias empresas. A este respeito, o fim do IVA intermédio na restauração e nos congelados, bem como o aumento do imposto sobre os combustíveis, terão um efeito adicional altamente destruidor. Lá para o fim de 2012 contem com 15 por cento de desemprego. Dir-me-ão que a Espanha está pior, com 22 por cento. Pois... mas aí o Estado social ainda providencia um subsídio de desemprego muitos pontos acima do nosso. O verdadeiro problema com que o país se vai confrontar em 2012 é o de uma ruptura social profunda. Gregos nos fazem, gregos nos terão.

Artigo publicado originalmente no semanário Sol