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Foto Reuters
A história da NATO pode ser escrita em sangue, diz Marisa Matias. "É uma história que representa a imposição de um modelo específico de Estado, de economia e de sociedade". Apesar dos esforços de propaganda, "todos sabemos que o negócio da NATO é a guerra".
A eurodeputada do grupo da Esquerda Unitária GUE/NGL eleita pelo Bloco de Esquerda participou em Gent num comício organizado pelo Partido Socialista de Esquerda da Bélgica e nele defendeu a extinção da Aliança Atlântica. O novo conceito estratégico desta organização militar, disse, é "uma forma de legitimar aquilo que tem sido a sua prática". O alargamento do conceito de ameaça, tornando-o "um conceito difuso", permite à NATO continuar a agir "não com na base no interesse colectivo, mas de interesses económicos e imperialistas", acrescentou. Marisa Matias declara-se preocupada com a discricionariedade do novo conceito estratégico, que pode abrir a porta a um "maior controlo social e à imposição de medidas securitárias" Um dos principais pontos da próxima Cimeira de Lisboa, considera a eurodeputada, será a repartição dos custos da guerra: "se existe um exército global, chegou agora o tempo de todos pagarem". Quanto a esta pressão dos Estados Unidos sobre os seus aliados, Marisa Matias argumenta: "concordo que a Europa não gasta dinheiro suficiente, mas não é em armas, é na criação de emprego, no apoio social e na criação de uma sociedade mais igualitária". Ao invés, "a guerra é um meio para a perpetuação das desigualdades e da exploração". De acordo com o novo conceito estratégico, a NATO é apresentada como "o músculo e a espinha dorsal dos ideais democráticos", como sempre alega ter sido. Marisa Matias desmistificou esta ideia lembrando que "Portugal tornou-se membro da Aliança quando vivíamos sob uma ditadura fascista". Marisa Matias enumerou ainda as medidas de controlo social que o governo português prepara para acolher a Cimeira da NATO em Lisboa e apelou à mobilização e à participação popular nos protestos contra "esta aliança transatlântica e a sua política imperialista".
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