| Liberalização dos correios: injustiça e maus serviços |
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| Quinta, 09 Setembro 2010 17:05 | |||
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"A União Europeia ainda não está preparada para a liberalização dos serviços postais", defenderam terça-feira vários eurodeputados em conjunto com numerosos trabalhadores que estão em risco de perder aos seus empregos devido a este processo. Uma manifestação em Estrasburgo, frente ao Parlamento Europeu, teve como objectivo pedir uma moratória em relação à data prevista para a liberalização dos serviços postais até que a Comissão Europeia assuma as suas responsabilidades. As pré-condições para a liberalização contidas na directiva 2008/6/EC(1) estabelecem a garantia de boas condições de trabalho, a necessidade de uma investigação das consequências sociais do processo e a realização de um estudo sobre como financiar e assegurar os serviços globais. "Estas exigências, porém, não foram respeitadas nem pelos Estados-membros nem pela Comissão Europeia", sublinham sindicalistas dos serviços postais. Durante a sessão plenária de quarta-feira diversos membros do Parlamento Europeu manifestaram o seu apoio a esta reivindicação interrogando a Comissão sobre a liberalização do mercado postal. Acusaram a Comissão, especialmente a Direcção Geral do Mercado Interno, de não cumprir os pré-requisitos definidos na sua política e nos seus documentos e por não se preocupar em conseguir maior justiça social no sector. Eurodeputados da Esquerda Unitária (GUE/NGL) revelaram que o Parlamento Europeu continua ainda à espera de um estudo da Comissão sobre o impacte social da liberalização. "Os trabalhadores estão a ser profundamente prejudicados nesta terceira fase da liberalização e a concorrência não está a beneficiar nada nem ninguém", afirmou a eurodeputada Sabine Wils. O deputado De Jong demonstrou também que a concorrência entre os serviços postais provocou o despedimentro de 15 mil trabalhadores na Holanda, incluindo pessoas com mais de duas décadas de vínculo, substituídas por jovens trabalhadores que aceitaram o emprego em condições precárias. O comissário Barnier respondeu que a directiva foi apoiada anteriormente pelo Parlamento Europeu e também por 25 Estados-membros no Conselho Europeu. Ainda segundo o comissário, a Comissão Europeia não acredita na suspensão do processo mas está disposta a criar um grupo de trabalho com os sindicatos e os utentes dos serviços postais para debater os problemas que venham a surgir. Contudo, esta "medida positiva", como foi qualificada no plenário, não proporcionará, segundo os defensores da moratória, qualquer solução para a actual degradação do mercado postal e para a justiça social pela qual os trabalhadores estão a lutar.
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