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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Obama celebra vitória de consolação PDF Versão para impressão
Segunda, 22 Março 2010 11:20
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As alterações ao sistema de saúde nos Estados Unidos foram aprovadas na generalidade na Câmara dos Representantes mas as propostas por discutir podem distorcer ainda mais o projecto inicial.
A aprovação à justa por 219-212 (216 votos exigidos) na Câmara dos Representantes remete o projecto geral de reformas na saúde para o gabinete do presidente, pelo que deverá ser promulgado muito em breve. No entanto, a Câmara dos Representantes remeteu para o Senado um volumoso pacote de propostas na especialidade susceptível de introduzir ainda mais alterações na lei geral. Desta feita os democratas podem usar a sua maioria simples para fazer aprovar as propostas mas tem-se verificado, ao longo do processo, que no interior do partido do presidente funcionam lobbies contra reforma da saúde. Na Câmara dos Representantes 34 democratas votaram contra a lei na generalidade.
O sistema legislativo aprovado na generalidade já tem pouco a ver com as propostas iniciais da equipa de Obama e foi perdendo, no caminho das negociações não apenas no Congresso mas também com numerosos grupos de pressão, muitas das suas características sociais que o tornavam inovador em alguns aspectos. A última e decisiva negociação, em cima da hora da votação, foi feita com um grupo anti-abordo.
O aspecto mais importante da lei que se perdeu no caminho foi a possibilidade de o Estado proporcionar seguros de saúde aos cidadãos no quadro geral de concorrência com o sector privado. Esse objectivo foi vetado liminarmente pelos lobbies das seguradoras assentes no peso os congressistas republicanos mas também de numerosas democratas. Alegaram que a participação do Estado no processo representava "concorrência desleal". Há um ano os principais grupos seguradores, entre eles a AIG, o de maiores dimensões, receberam dezenas de milhões de dólares do Estado, concedidos já pela Administração Obama, para poderem sobreviver à crise.
Em termos teóricos, antes de conhecido o destino das propostas de alteração - que estarão sujeitas a mais um demorado processo no Senado - os novos mecanismos da legislação de saúde nos Estados Unidos alarga o acesso aos cuidados a mais 31 milhões de cidadãos até agora desprovidos de qualquer assistência. Todos os cidadãos, mesmo os desempregados ou que trabalhem por conta própria, são obrigados a ter seguros de saúde (privados), sujeitando-se a penalizações no caso de não os possuírem. O Estado disporá de "bolsas de seguros" de apoio às pessoas que não tenham seguros no âmbito laboral ou às mais carenciadas.
De acordo com os números apresentados, a legislação terá custos de 940 milhões de dólares em dez anos e representará um corte de 138 milhões no défice orçamental, cifra que convenceu os democratas mais renitentes até ao último momento. O financiamento será alcançado através de aumentos de impostos e em cortes nos fundos federais destinados a hospitais e outras instituições de âmbito social, além de eliminação de "desperdícios no Medicare", o sistema de apoio federal aos cidadãos mais necessitados acima dos 65 anos.
O aspecto mais contestado da nova legislação pelo sector dos seguros e as áreas mais conservadoras da sociedade é a criação de uma entidade reguladora federal que terá como uma das missões fazer o acompanhamento dos prémios praticados pelas seguradoras e também zelará para que não se mantenha a prática habitual de recusa de planos de saúde a cidadãos sofrendo de alguma doença.
De acordo com as estatísticas oficiais, no estado actual da saúde nos Estados Unidos - onde não existe um sistema nacional - 58 por cento dos cidadãos dependem de seguros privados, 15 por cento do Medicare, 13 por cento do Medicaid (sistema vocacionado para os mais desfavorecidos) e 15 por cento não têm qualquer acesso a cuidados de saúde.