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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Os mistérios da reinvenção da energia PDF Versão para impressão
Segunda, 15 Março 2010 12:25

As instituições europeias procuram o novo "paradigma energético" mantendo na sombra as coordenadas políticas e os suportes financeiros.

Mais informação: O "novo paradigma energético" e os velhos métodos

Marisa Matias abordou no debate sobre energia no Parlamento Europeu os insondáveis mistérios da reinvenção do sistema energético europeu sem clarificação política e financeira. No meio do renascimento do entusiasmo governamental e empresarial em torno do nuclear, Marisa Matias denunciou que a procura do novo modelo energético europeu se processa sem fornecer aos contribuintes - e consumidores - as inprescindíveis e fidedignas informações sobre o assunto.

O debate sobre investimento europeu em energias de baixas emissões de carbono (low carbon) decorreu na sessão plenária do Parlamento realizada em Estrasburgo. A discussão realizou-se num contexto internacional caracterizado pela aposta cada vez mais intensa na produção nuclear de energia, uma tecnologia assimilada às de baixo carbono, "segura e limpa", ideal para o combate às alterações climáticas - argumentos utilizados de forma recorrente para iludir o debate sobre os outros riscos ambientais e humanos criados pela utilização dessa tecnologia.

Em nome do grupo da esquerda unitária no Europarlamento (GUE/NGL), Marisa Matias salientou que todo o processo de "reinvenção do sistema energético europeu" carece de transparência política e financeira, ficando os contribuintes e, simultaneamente, consumidores afastados de informação que é imprescindível conhecerem. Sendo que o debate parlamentar, apesar da presença do comissário do sector, não contribuiu para preencher essas lacunas.

A intervenção de Marisa Matias na íntegra:

Estamos aqui a falar da reinvenção do sistema energético para a escala europeia através do investimento nas tecnologias de baixo carbono.

Eu acho que é um dos desafios muito importantes – como é referido, aliás, na comunicação que é feita. E é um dos desafios que temos de encarar de forma central, mas não há aqui nenhuma clarificação, e daí a importância de colocar estas questões e de pedir a clarificação. Parece que não falta apenas a clarificação do financiamento, mas falta também a clarificação política.

Fala-se da eficiência energética, da captura de carbono, do nuclear, dos biocombustíveis, da energia solar, e fala-se, inclusivamente, da eficiência energética como a forma mais barata de reduzir as emissões. Espanta-me que haja outras formas muito mais baratas de reduzir as emissões de carbono que nem sequer constam desta comunicação, como, por exemplo, desde logo, a redução do consumo energético, a microgeração, a distribuição e as formas diferentes de distribuição e projectos diferentes que não tenham de passar apenas pelas grandes estruturas e o acesso à energia. Penso que aí estaríamos a contribuir seguramente para mais clarificação financeira para tornar o plano mais barato.

Portanto, dentro desta clarificação política e dentro desta clarificação financeira, falta ainda falar daquele que me parece que é um ponto absolutamente importante, que é a tónica permanentemente colocada nas parcerias público-privadas, como se elas fossem a solução para tudo.

Quando se pergunta de onde é que vem o dinheiro, dizem-nos, da Comissão, que vem de onde ele está. Eu confesso que não fico mais esclarecida por me ser dito que o dinheiro virá de onde está, sem ser dito exactamente onde é que ele está.

E, portanto, em relação a esta aposta nas parcerias público-privadas que é sistematicamente feita quando falamos de tecnologias de baixo carbono, ficamos seguramente com uma certeza: é que, não sabendo de onde o dinheiro vem e sabendo que são parcerias público-privadas, sabemos à partida quem vai pagar. Quem vai pagar são os contribuintes no início, são os consumidores que, por acaso, também são contribuintes no final. E sabemos que quem paga menos são, à partida, as instituições e as organizações privadas – que são as que fazem o investimento, são remuneradas por ele, mas, no final, acabam por monopolizar os lucros.

Sem esta clarificação, o que me parece é que, mais uma vez, estamos a passar sistematicamente para as gerações futuras a factura da mudança do modelo energético europeu