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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Islandeses rejeitam factura dos erros dos bancos PDF Versão para impressão
Quarta, 10 Março 2010 11:57

O referendo do dia 6 de Março na Islândia teve um resultado prometedor (93%) para todos os que acham que não devem ser os mais pobres a pagar a factura deixada pelos mais ricos.

A realização do referendo teve como objectivo auscultar a opinião do povo islandês sobre a contestada lei Icesave, que prevê indemnizar os investidores estrangeiros lesados pela falência do banco islandês Icesave. Os 93 por cento contra a lei não deixam margem para dúvidas, mas o resultado pode, ainda assim, ser pouco efectivo pois nada garante que a opinião pública tenha o maior peso na balança da decisão final.

Após vários protestos da população, o presidente islandês, O. R. Grimsson, decidiu convocar uma consulta popular antes de tomar a decisão de assinar ou não a lei criada para compensar os países que foram forçados a ajudar os seus cidadãos que perderam os fundos aplicados no banco Icesave.

Num panorama de grave recessão económica no país, o Landsbanki, que administrava as contas do Icesave, faliu e foi nacionalizado em 2008. Mais de 400 mil pessoas perderam o dinheiro que haviam investido no banco e pediram contas aos seus governos, os quais, por sua vez, exigiram o pagamento da dívida à Islândia .

Em Dezembro de 2009 o Parlamento islandês aprovou uma proposta para reembolsar o dinheiro aos governos estrangeiros, mas a lei tem que ser promulgada pelo presidente. A população islandesa considera - e deixou isso bem claro no referendo - que não deve pagar pelos erros dos bancos. Se assim fosse, caberia a cada islandês pagar cerca de 12 500 euros por uma dívida que não contraiu. No dia 6 de Março o presidente recebeu uma petição para vetar a lei assinada por quase um quarto da população do país.

Entretanto, os vizinhos nórdicos da Islândia - Dinamarca, Suécia, Finlândia e Noruega – que haviam acordado emprestar 1800 milhões de euros para ajudar a economia islandesa a sair da profunda crise, mostram-se agora receosos. A Suécia ameaça não avançar com as verbas que tinha prometido caso Reikiavik siga o que os eleitores islandeses decidiram no referendo e não pague ao Reino Unido e à Holanda as indemnizacões aos clientes afectados pela falência do banco islandês.
Drifa Snaedal, secretária-geral do Left-Green Movement Party (Partido do Movimento da Esquerda-Verde) da Islândia abordou a situação no domingo, dia 7, durante a Conferência Internacional das Mulheres, em Copenhaga. Falou dos seus receios relativamente ao estado do país e à entrada na UE. A secretária geral considera que ainda não se pode falar de crise profunda, mas sim de uma grande recessão: “Ainda temos sistemas de saúde, escolas e serviços sociais, mas o problema está na grande depressão económica trazida pelo sistema capitalista e oligárquico.”
Segundo Drifa, a Islândia é um país que foi recentemente devastado pelos interesses económicos mas que ainda oferece condições de vida relativamente boas por ter desenvolvido um bom sistema social há três décadas. A Islândia tem a maior de taxa de fertilidade, mas também a menor taxa de desemprego nas mulheres (10%). Porém, a situação piora de dia para dia “por causa das mudanças no poder e da falência dos bancos. A única forma de resolvermos o problema é sendo radicais, há que desconstruir o poder, analisá-lo e voltar a construí-lo.” – defendeu.