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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Israel complica negociações antes de iniciadas PDF Versão para impressão
Terça, 09 Março 2010 16:15

colonatos02

O governo de Israel assinalou a visita do vice-presidente dos Estados Unidos com o anúncio do reforço da colonização na Cisjordânia. Assim começam as "negociações indirectas".

"Negociações indirectas" é a nova frase mágica das diplomacias norte-americana e israelita para relançar o chamado "processo de paz no Médio Oriente". Depois de 17 anos de conversações directas em que todos os prazos e quase todos os objectivos previstos pelos acordos de Washington, assinados em 1993, foram desrespeitados, as partes passam agora a negociar através da mediação dos Estados Unidos da América. A metodologia é diferente - faz recuar o processo cerca de 20 anos - mas o mediador é o mesmo e nunca funcionou de modo satisfatório para estabelecer a paz através da projectada coexistência de dois Estados na Palestina.

O governo da Autoridade Palestiniana em Ramallah já anunciou que aceita o processo de conversações indirectas mesmo sem conhecer o formato segundo o qual serão efectuadas. Em Gaza, o Hamas rejeita o método por considerar, em primeiro lugar, que a parte palestiniana não ficará numa situação equilibrada devido ao agente encarregado da mediação.

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden, iniciou terça-feira uma viagem de quatro dias à região para expôr e lançar o processo. Encontrou-se primeiro em Jerusalém Oeste com o presidente israelita, Shimon Peres, e com o primeiro ministro israelita, Benjamin Netanyahu. Quarta-feira estará em Ramallah, na Cisjordânia, para reuniões com o presidente Mahmud Abbas e o primeiro ministro da Auroridade Palestiniana, Salam Fayad. Apesar da concordância manifestada em princípio pelo lado palestiniano da Cisjordânia, ainda não existe um acordo formal sobre o formato do processo e o conteúdo das conversações, também conhecidas como "conversas de aproximação". Netanyahu disse que o governo de Israel pretende que esta fase seja de curta duração e abra caminho ao reinício de conversações directas "através das quais será realmente possível avançar para a paz".

Poucas horas antes de Joseph Biden, enviado de Barack Obama ao mais alto nível, aterrar em Israel o governo israelita anunciou a construção de mais 112 casas no colonato de Beitar Ilit, na Cisjordânia, habitado por cidadãos israelitas oriundos dos sectores mais belicistas e fundamentalistas religiosos de Israel. A colonização israelita dos territórios onde deverá assentar o Estado Palestiniano, ilegal à luz do direito internacional, é um dos problemas que tem bloqueado as conversações porque os governos israelitas nunca se dispuseram, no mínimo, a congelar a expansão. Em cada visita que um alto responsável de Washiington realiza a Israel "os israelitas anunciam mais ampliações dos colonatos, provocando constrangimentos ao presidente Abbas e levantando muitas dúvidas sobre os esforços norte-americanos para o reinício do processo de paz", disse Saeb Erakat, o principal negociador do lado palestiniano. A parte israelita alega que este novo passo na colonização foi ditado "por razões de segurança e ainda durante o governo de Ehud Olmert". A colonização é um eixo estratégico de todos os governos israelitas desde 1967 e tem contribuído para a anexação gradual dos territórios palestinianos que o Estado de Israel está obrigado a abandonar de acordo com as resoluções das Nações Unidas aprovadas sobre o assunto.

A colonização não se limita à construção de habitações e à inserção artificial e forçada de comunidades israelitas no interior dos territórios palestinianos. Cada colonato é acompanhado por uma profunda alteração da situação territorial em redor, quase sempre por "razões de segurança", através da construção de estradas, apropriação de recursos naturais como águas e terras cultiváveis, para utilização exclusiva pelas populações judaicas ali colocadas.

No âmbito das conversações directas, os governos israelitas desde o assassínio de Isaac Rabin, em 1995, têm-se recusadio sempre a discutir as questões mais polémicas do conflito como a colonização, Jerusalém Leste (que o lado palestiniano pretende como capital do seu Estado), as fronteiras dos dois Estados e o destino dos refugiados que têm sido obrigados a abandonar a Palestina em sucessivas vagas desde 1948. A posição assumida recentemente pela Liga Árabe e que abriu as portas para que as autoridades de Ramallah participem nas negociações indirectas estipula que esta fase deverá estender-se no máximo por um período de quatro meses durante o qual deverão ser discutidos todos os problemas mais complexos que estão em cima da mesa. Este formato, à partida, contrasta com o pretendido pelo governo israelita - rapidez e ordem de trabalhos vaga - cabendo ao vice-presidente dos Estados Unidos tentar harmonizar as posições.