| Israel complica negociações antes de iniciadas |
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| Terça, 09 Março 2010 16:15 | |||
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O governo de Israel assinalou a visita do vice-presidente dos Estados Unidos com o anúncio do reforço da colonização na Cisjordânia. Assim começam as "negociações indirectas". "Negociações indirectas" é a nova frase mágica das diplomacias norte-americana e israelita para relançar o chamado "processo de paz no Médio Oriente". Depois de 17 anos de conversações directas em que todos os prazos e quase todos os objectivos previstos pelos acordos de Washington, assinados em 1993, foram desrespeitados, as partes passam agora a negociar através da mediação dos Estados Unidos da América. A metodologia é diferente - faz recuar o processo cerca de 20 anos - mas o mediador é o mesmo e nunca funcionou de modo satisfatório para estabelecer a paz através da projectada coexistência de dois Estados na Palestina. O governo da Autoridade Palestiniana em Ramallah já anunciou que aceita o processo de conversações indirectas mesmo sem conhecer o formato segundo o qual serão efectuadas. Em Gaza, o Hamas rejeita o método por considerar, em primeiro lugar, que a parte palestiniana não ficará numa situação equilibrada devido ao agente encarregado da mediação. O vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden, iniciou terça-feira uma viagem de quatro dias à região para expôr e lançar o processo. Encontrou-se primeiro em Jerusalém Oeste com o presidente israelita, Shimon Peres, e com o primeiro ministro israelita, Benjamin Netanyahu. Quarta-feira estará em Ramallah, na Cisjordânia, para reuniões com o presidente Mahmud Abbas e o primeiro ministro da Auroridade Palestiniana, Salam Fayad. Apesar da concordância manifestada em princípio pelo lado palestiniano da Cisjordânia, ainda não existe um acordo formal sobre o formato do processo e o conteúdo das conversações, também conhecidas como "conversas de aproximação". Netanyahu disse que o governo de Israel pretende que esta fase seja de curta duração e abra caminho ao reinício de conversações directas "através das quais será realmente possível avançar para a paz". Poucas horas antes de Joseph Biden, enviado de Barack Obama ao mais alto nível, aterrar em Israel o governo israelita anunciou a construção de mais 112 casas no colonato de Beitar Ilit, na Cisjordânia, habitado por cidadãos israelitas oriundos dos sectores mais belicistas e fundamentalistas religiosos de Israel. A colonização israelita dos territórios onde deverá assentar o Estado Palestiniano, ilegal à luz do direito internacional, é um dos problemas que tem bloqueado as conversações porque os governos israelitas nunca se dispuseram, no mínimo, a congelar a expansão. Em cada visita que um alto responsável de Washiington realiza a Israel "os israelitas anunciam mais ampliações dos colonatos, provocando constrangimentos ao presidente Abbas e levantando muitas dúvidas sobre os esforços norte-americanos para o reinício do processo de paz", disse Saeb Erakat, o principal negociador do lado palestiniano. A parte israelita alega que este novo passo na colonização foi ditado "por razões de segurança e ainda durante o governo de Ehud Olmert". A colonização é um eixo estratégico de todos os governos israelitas desde 1967 e tem contribuído para a anexação gradual dos territórios palestinianos que o Estado de Israel está obrigado a abandonar de acordo com as resoluções das Nações Unidas aprovadas sobre o assunto. A colonização não se limita à construção de habitações e à inserção artificial e forçada de comunidades israelitas no interior dos territórios palestinianos. Cada colonato é acompanhado por uma profunda alteração da situação territorial em redor, quase sempre por "razões de segurança", através da construção de estradas, apropriação de recursos naturais como águas e terras cultiváveis, para utilização exclusiva pelas populações judaicas ali colocadas. No âmbito das conversações directas, os governos israelitas desde o assassínio de Isaac Rabin, em 1995, têm-se recusadio sempre a discutir as questões mais polémicas do conflito como a colonização, Jerusalém Leste (que o lado palestiniano pretende como capital do seu Estado), as fronteiras dos dois Estados e o destino dos refugiados que têm sido obrigados a abandonar a Palestina em sucessivas vagas desde 1948. A posição assumida recentemente pela Liga Árabe e que abriu as portas para que as autoridades de Ramallah participem nas negociações indirectas estipula que esta fase deverá estender-se no máximo por um período de quatro meses durante o qual deverão ser discutidos todos os problemas mais complexos que estão em cima da mesa. Este formato, à partida, contrasta com o pretendido pelo governo israelita - rapidez e ordem de trabalhos vaga - cabendo ao vice-presidente dos Estados Unidos tentar harmonizar as posições.
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