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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

BE combate as ameaças do ACTA PDF Versão para impressão
Quarta, 01 Fevereiro 2012 20:24

ACTA01

Os eurodeputados eleitos pelo Bloco de Esquerda têm vindo a lutar e continuarão a lutar contra o ACTA, acordo que representa uma ameaça às liberdades e à privacidade na internet assinado pelo Governo português e com apoiantes no PS.

O Governo português assinou o Acordo Comercial Anticontrafacção (ACTA), já depois das primeiras detenções ao abrigo deste convénio com o encerramento do site de partilhas Megauploads. Para entrar em vigor no espaço da União Europeia, este acordo que contém ameaças de censura e de violação de privacidade na internet, precisa de ser aprovado no Parlamento Europeu em Junho próximo. Nessa altura o BE votará contra, continuando os esforços que tem vindo a desenvolver desde o início da legislatura nesta área.

Em Novembro de 2010, a eurodeputada Marisa Matias foi signatária de uma importante resolução sobre o ACTA que dividiu o plenário e que acabou rejeitada por uma margem mínima: 322 votos contra e 306 a favor. Kader Arif, relator do Parlamento Europeu para a ACTA e que se demitiu na sexta-feira em protesto por este ter sido assinado por vários países, era outro dos signatários da resolução. Este documento tinha como objectivo proteger a privacidade dos cidadãos e a protecção de dados como valores fundamentais da UE e garantir que o acordo não iria alterar a legislação comunitária nesta área. A resolução rejeitava liminarmente a revista de pessoas e o chamado procedimento de três etapas, que prevê a suspensão da ligação à internet após a terceira detecção de um download de obras protegida por copyright.

A proposta sugeria uma análise jurídica do disposto no ACTA relativamente “à cooperação entre os prestadores de serviços e os detentores de direitos”, “em especial no que diz respeito ao modo como os esforços de cooperação no interior da comunidade empresarial não limitarão direitos fundamentais dos cidadãos, incluindo o direito à vida privada, o direito à liberdade de expressão e o direito a um processo equitativo”

O texto pretendia uma avaliação para verificar se o ACTA poderia alterar “o actual equilíbrio” da legislação comunitária “entre as obrigações jurídicas dos prestadores de serviços de internet de protegerem os dados pessoais dos utilizadores finais e de revelarem esses dados aos detentores de direitos de propriedade intelectual ou às autoridades administrativas e judiciais”. Eram também levantadas dúvidas se o ACTA podia, na prática, conduzir à criminalização dos utilizadores privados e intermediários. A proposta fazia ainda notar que a possibilidade de as autoridades judiciais emitirem uma ordem contra uma Parte ou Terceiros ultrapassa o disposto nas Directivas Europeias sobre aos direitos de propriedade intelectual.

O interesse colectivo e a privacidade eram também defendidos em relação a outras áreas do ACTA, tratado com grande peso dos Estados Unidos e que teve como consultoras, na fase de elaboração, as grandes multinacionais norte-americanas de sectores a indústria química e farmacêutica, cinematográficas e discográficas. Relativamente às patentes dos medicamentos, a resolução “sublinha que uma exclusão explícita e absoluta é a única forma do ACTA não prejudicar o acesso a medicamentos legais, a preços acessíveis e capazes de salvar vidas”. A inclusão no ACTA da bagagem pessoal dos viajantes, mesmo quando os produtos transportados não são de natureza comercial, era igualmente criticada.

O Bloco de Esquerda e o PCP votaram favoravelmente a resolução, assim como um membro do PS. Contudo, apesar da maioria dos socialistas europeus ter votado favoravelmente, os portugueses optaram pela abstenção. PSD e CDS-PP votaram contra. Entre os grandes defensores do ACTA, apesar das ameaças nele contidas, é o eurodeputado socialista Vital Moreira.