Facebook
The Week

Miguel Portas

Copy/Paste

The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


Ler Mais...
Mil Palavras
Instantâneos
Reflexões

O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

"Só nos saem duques!" PDF Versão para impressão
Segunda, 21 Novembro 2011 11:53

duques02

"Só nos saem duques!", desabafou Miguel Portas no programa Conselho Superior da Antena Um sobre o relatório da comissão do serviço público para a comunicação social, que traz no bojo “uma catástrofe” para as televisões e para os meios de informação em geral.

O relatório da comissão do serviço público para a comunicação social traz no bojo “uma catástrofe” para as televisões e para os meios de informação em geral que se reflectirá em “mais falências e despedimentos” e que será “uma tragédia” para o acesso dos portugueses a uma informação livre, denunciou o eurodeputado Miguel Portas no seu espaço semanal do programa Conselho Superior da Antena Um.

O documento da comissão presidida pelo economista João Duque “não tem pés nem cabeça”, sublinhou o eurodeputado da Esquerda Unitária (GUE/NGL) eleito pelo Bloco de Esquerda enumerando as prováveis malfeitorias que irá provocar no sector, desde o saldo da publicidade num tempo de crise até uma diminuição da quantidade e qualidade da informação, passando pelo aumento das pressões sobre os jornalistas.

Miguel Portas explicou que uma privatização do Canal Um da RTP, para o qual não existem compradores óbvios em Portugal e que pode ir parar “a capitais angolanos ou brasileiros”, aumentará o espaço publicitário em cerca de 20 por cento, o que num contexto de crise será “catastrófico” porque irá fazer “baixar enormemente” o preço da publicidade nas televisões, com efeito de contaminação a rádios, jornais e revistas. O resultado, diz o eurodeputado, resume-se em poucas palavras: “mais falências e mais despedimentos na área de comunicação social”. Espanta, acrescenta Miguel Portas, “que o economista João Duque que dirige o grupo de trabalho não saiba disto”, o que só se justifica por estar “ao serviço de uma agenda ideológica”.

A questão mais grave do relatório, segundo o eurodeputado, é o que poderá passar-se com a informação dentro do contexto defendido por Duque de a colocar “ao serviço da nação”, em parte risonha e optimista titulada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Por detrás do conceito exposto no relatório está, segundo Miguel Portas, a transformação dos jornalistas “em carne para canhão”, pressionados e sem independência, a diminuição global da qualidade e quantidade de informação, a redução da pressão sobre os actuais canais privados para que produzam informação. “Um do pontos fortes da RTP”, salienta Portas, “é, apesar de tudo, o trabalho da informação. No momento em que se tirar à RTP a pressão para um trabalho de informação completo e plural isto só irá agravar o panorama da informação em geral”.

“Mas o que é verdadeiramente a tragédia deste grupo de trabalho”, rematou Miguel Portas, “é que nos tempos que correm pelos vistos só nos saem é duques”.