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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Croácia, Macedónia e Turquia e as questões “mal resolvidas” PDF Versão para impressão
Terça, 09 Fevereiro 2010 18:22

cyprus

A situação de adesão da Croácia, Macedónia e Turquia é discutida amanhã, na plenária de Estrasburgo. Os três países têm actualmente o estatuto oficial de países candidatos, mas avançam a velocidades diferentes.

São países com um importante valor diplomático. A Croácia e a Macedónia com os Balcãs e a Turquia com o Médio Oriente. Mas têm ainda cruciais reformas a desenvolver a nível do funcionamento democrático e da protecção dos direitos humanos como a luta contra corrupção, a melhoria a nível da liberdade de imprensa, a necessidade de transparência política e de uma justiça mais célere e eficaz, o aperfeiçoamento das leis anti-discriminatórias relativamente ao género, à orientação sexual e às minorias étnicas e religiosas, e a reforma da administração pública. Mas para além dos pontos comuns entre os três países, existem questões específicas que “entravam” a entrada dos candidatos oficiais.

A Croácia e as fronteiras Eslovenas

Tudo aponta para que a Croácia se torne no 28.º Estado-membro a juntar-se à UE. Apesar dos contínuos e evidentes progressos, ainda existem tensões na região e alguns passos a dar em termos democráticos e económicos. O acordo celebrado a 11 de Setembro de 2009 entre os primeiros-ministros croata e eslovenos sobre as modalidades de resolução do confronto transfronteiriço bilateral criou a dinâmica que permitiu abrir os capítulos restantes de negociações. As negociações poderão terminar durante o presente ano. Mas o país deve prosseguir os esforços de reforma do sistema judiciário e da administração pública, a luta contra a corrupção e o crime organizado, a promoção dos direitos das minorias e o regresso dos refugiados. Continuam, também, a verificar-se algumas pressões políticas sobre os média e ameaças a jornalistas que cobrem crimes de guerra e o crime organizado. Outra razão de preocupação da UE é a falta de entusiasmo da opinião pública, em que apenas dois terços da população concordam com a adesão à UE.

 

Macedónia e Grécia – o problema do nome

Em Dezembro de 2005, o Conselho Europeu concedeu à Antiga República Jugoslava da Macedónia o estatuto de país candidato.

O país tem ficado para trás em boa medida por causa do diferendo que enfrenta com a Grécia. Atenas só aceita que a Macedónia negoceie com a União Europeia sob a designação de antiga República Jugoslava da Macedónia, impedindo que seja reconhecida internacionalmente sob o nome de uma região que afirma fazer parte do seu património histórico nacional. De acordo com o comissário europeu para o Alargamento, as negociações estão a avançar a um ritmo mais lento do que o desejado: “Esperamos que o país consiga cumprir alguns pontos estratégicos – ligados a reformas na administração pública e ao combate à corrupção – para que as negociações avancem”.

A integração na EU é tida como uma influência positiva para as reformas na região dos Balcãs ocidentais e para um ambiente mais próspero e pacífico. Considera-se que tem havido uma evolução da situação política, com um maior diálogo entre os partidos e uma melhor condução das eleições presidenciais e locais, relativamente a 2008. Mas as relações inter-étnicas devem ainda ser promovidas, com o respeito pelos vários grupos e com a abolição gradual da separação nas escolas por razões desta natureza.

Assim como a Croácia, existem aspectos ligados ao funcionamento dos sistemas público e judiciário a melhorar como a luta contra a corrupção, a melhoria da lei da liberdade de imprensa, a luta contra a discriminação e a melhoria da justiça no que diz respeito à lentidão dos processos e à imparcialidade dos juízes. Sem esquecer a necessidade de inclusão da minoria dos Roma. Nas questões regionais, houve um progresso “louvável”, segundo a UE: “destaca-se a maior liberdade no regime dos vistos, a participação do país nas missões cívicas e militares da UE, bem como a conclusão do acordo sobre a demarcação física das fronteiras”.

 

Turquia, o Chipre e os curdos

Em Dezembro de 2006, as negociações com a Turquia foram parcialmente suspensas, pelo facto deste país se recusar a aplicar a Chipre o acordo relativo à união aduaneira entre a UE e a Turquia.

A Turquia continua a ser o “dossier” mais difícil e polémico de entre os três candidatos oficiais. Em Outubro de 2005 começaram as negociações de adesão de Ancara à União Europeia, mas a entrada da Turquia para o grupo de países da Velha Europa não agrada a muitos líderes europeus, como é o caso de Nicolas Sarkozy e de Angela Merkel.

As dissidências no seio da UE, a par com o lento avanço das reformas em Ancara, têm marcado o processo de adesão turco. Segundo o Moratinos, ministro l para os Assuntos Externos de Espanha, cujo país preside actualmente o Conselho afirmou que: “as reformas operadas nos últimos anos aumentaram substancialmente as liberdades fundamentais e ajudaram a ancorar o desenvolvimento democrático no país, mas é preciso continuar o processo e continuar a abrir mais capítulos das negociações”. Moratinos sublinha ainda a importância da Turquia enquanto país mediador de conflitos, incluindo entre Israel e a Palestina, e como plataforma de entendimento para o Iraque e para o Irão.

Um dos grandes problemas da adesão turca continua a ser a questão cipriota. A ilha permanece dividida entre gregos e turcos. As negociações entre os líderes cipriota turco e grego parecem, porém, bem encaminhadas e os analistas consideram que há a possibilidade real de se resolver, num futuro próximo, o conflito que ensombra a adesão turca e que teve origem há mais de 30 anos, em 1974, espoletado por um curto golpe de Estado de origem grega em Nicósia.

Mas para além desta questão, o governo turco tem de demonstrar vontade política e continuar as reformas democráticas com as quais se comprometeu. Desde o início das negociações, em 2005, a Turquia só abriu 12 dos 35 capítulos.

Se o aumento do debate público sobre várias questões sensíveis como o papel das autoridades judiciárias, os direitos dos cidadãos de origem curda, os direitos da comunidade alevita, o papel das forças armadas e as relações da Turquia com os seus vizinhos é positivo, há ainda um longo caminho a percorrer.

A valorização e a protecção dos direitos humanos e das liberdades fundamentais  não se resolve com um debate público, mas deve passar por uma revisão da constituição, com a cooperação de todos os partidos, sociedade civil e minorias. O pluralismo partidário é fundamental para uma representação mais ampla de forças e minorias políticas na Grande Assembleia Nacional. Na esfera pública, continua a perpetuar-se uma constante polarização da sociedade turca e dos partidos políticos que conduz a graves atentados políticos e democráticos como a decisão do Tribunal Constitucional de dissolver o Partido da Sociedade Democrática (DTP) e as recentes detenções de membros desse mesmo partido. Os tribunais não podem excluir da actividade política um certo número dos seus representantes eleitos democraticamente. Os representantes políticos da população curda devem ser autorizados a participar neste processo. Impõe-se assim uma reforma completa e rápida do sistema de justiça com um reforço da imparcialidade e do profissionalismo do sistema judicial e uma reforma das leis que possam justificar a restrição da liberdade de expressão e evitar as pressões indevidas contra jornalistas, políticos ou universitários. A lei deve proteger aqueles que se envolvam em investigações ligadas a redes criminosas como o Ergenekon com uma nova lei de imprensa, espelho de uma sociedade pluralista. A Assembleia Nacional Turca deve ainda aprovar rapidamente as alterações à lei anti terrorismo e ratificar o Protocolo das NU contra a tortura.