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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Irão estica a corda PDF Versão para impressão
Segunda, 08 Fevereiro 2010 17:26

ahmedinadjad

Irão vai enriquecer urânio. Estados Unidos querem agravar sanções. Novos passos no pior sentido.

Mahmud Ahmedinadjad, o presidente iraniano, surpreendeu o mundo no início de Fevereiro ao anunciar a disponibilidade do país para permitir que o urânio necessário ao seu programa nucler civil fosse enriquecido no estrangeiro. Esta decisão parecia corresponder à aceitação das propostas formuladas pelas Nações Unidas sobre essa matéria. Admitiu-se que a iniciativa de Teerão pudesse ser uma cedência perante a intensificação da presão militar dos Estados Unidos com a realização de exercícios na região e o rearmamento de países vizinhos, designadamente a Arábia Saudita.

Os Estados Unidos e os seus mais próximos aliados no cerco ao Irão optaram por não reagir ao anúncio de Ahmedinadjad e os poucos comentários que foram feitos sobre o assunto caracterizaram-se pelo cepticismo. Numa posição conjunta divulgada entretanto, representantes norte-americanos e alemães afirmaram que nada tinham visto de novo na declaração iraniana.

Na sexta-feira,dia 5, logo a seguir a uma reunião entre representantes iranianos e altos responsáveis da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o presidente iraniano declarou publicamente a intenção de proceder ao enriquecimento de urânio a 20 por cento, decisão que é um desafio às posições internacionais patrocinadas pelos Estados Unidos em relação ao programa nuclear de Teerão. Ahmedinadjad explicou que a iniciativa é a resposta adequada às sanções internacionais tendo em conta o alegado aumento de necessidades de urânio em condições de fazer face aos tratamentos de doentes com cancro. De acordo com a intervenção proferida numa visita oficial, o presidente iraniano disse que o reactor nuclear de Teerão começa a ter falta de combustível e caso venha a parar será um problema para os doentes que precisam de terapia radioactiva.

Manucher Mattaki, o chefe da delegação iraniana à reunião na AIEA, anunciara, porém, que se tratara de um "bom encontro", nada fazendo então prever que os acontecimentos se precipitassem; o presidente da AIEA comentou, por seu turno, que o diálogo continua mas é necessário acelerá-lo para que sejam medidas concretas no âmbiito das propostas da ONU. Aparentemente o regime de Teerão pretende manter o programa de desenvolvimento nuclear enquanto mantém as negociações sobre as propostas de enriquecimento no estrangeiro.

As reacções dominantes a esta situação vão no sentido do agravamento das sanções a Teerão, sabendo-se, por outro lado, que a tensão militar continua a crescer. Robert Gates, secretário norte-americano da Defesa, declarou que "devemos ainda tentar um caminho pacífico para resolver o assunto" e o único que citou foi "o da pressão sobre o Irão", sendo para isso necessário "que toda a comunidade internacional trabalhe em conjunto". Um dos factos relevantes desta declaração é ter sido feita por um responsável pelo sector militar, que se encontrava acompanhado pelo homólogo francês, Hervé Morin.