| Novo governador militar de Tripoli é um veterano guerreiro fundamentalista islâmico |
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| Sexta, 26 Agosto 2011 11:55 | |||
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Abdel Hakim Belhaj, o novo governador militar de Tripoli à cabeça das tropas apoiadas pela NATO, é um velho dirigente e combatente de grupos fundamentalistas islâmicos, fundador e “emir” do Grupo Islâmico Combatente da Líbia (GICL), organização conhecida por manter laços operacionais com a al Qaida no Iraque, segundo informações divulgadas sexta-feira pelo diário francês Libération. “Ganhámos a batalha de Tripoli, eles fugiram como ratos”, é uma citação atribuída ao novo governador de Tripoli, um dos principais chefes militares do Conselho Nacional de Transição, a organização a quem a chamada comunidade internacional atribui o poder legítimo na Líbia. A vizinha Argélia, contudo, conhecendo os objectivos do radicalismo islâmico no Magrebe e vivendo a experiência das sua intervenção no território, ainda não reconheceu o CNT. De acordo com o retrato traçado pelo Libération, Abdel Hakim Belhaj é mais conhecido pela CIA como Abdallah al Salek, com a qual colaborou como cabo de guerra dos mujahidinnes contra a presença soviética no Afeganistão e que depois o prendeu em 2003 pelas suas ligações à al Qaida no Afeganistão e na Malásia. Em 2004 a CIA entregou Belhaj a Khaddafi, por ser o principal dirigente do Grupo Combatente Islâmico, e este encarcerou-o juntamente com centenas de outros militantes, sob a acusação de terem patrocinado uma conspiração para o derrubar. Os fundamentalistas islâmicos acabaram por ser libertados em 2009 graças ao trabalho junto de Khaddafi exercido pelo então ministro da Justiça, Mustapha Abdeljalil, hoje o presidente do Conselho Nacional de Transição. Abdel Hakim Belhaj é considerado um “ultra radical islâmico” e um destacado militante “jihadista”, designação que tem vindo a substituir gradualmente a palavra “terrorista” nos meios de comunicação internacionais que se colocaram desde o início ao lado da NATO na agressão à Líbia. O Libération afirma que os principais postos militares de comando do CNT são quase todos ocupados por quadros do Grupo Islâmico Combatente, que chegou a dispor de dois campos de treino no Afeganistão no quadro do combate contra a presença soviética dirigido pelos serviços secretos norte-americanos, britânicos, paquistaneses e sauditas, com o envolvimento de Bin Laden. Segundo o jornal, Belhaj e outros comandantes terão “renunciado” à “guerra santa” (jihad), reconhecendo, no entanto, que este é um facto que deixa sempre dúvidas quando se trata de questões de fanatismo religioso. O cenário político-militar que começa a ser construído na Líbia adquire semelhanças com o que se passou no Kosovo, onde figuras do conhecido grupo terrorista Exército de Libertação do Kosovo, apoiado pela NATO, assumiram depois as principais funções políticas e “democráticas” na gestão do protectorado, com cobertura militar dos países da NATO. O Libération assinala que o CIGL tem condições para conquistar apoios em tribos, clãs e grupos religiosos, principalmente da Tripolitânia, pelo facto de ser a única organização que agiu de facto como oposição a Khaddafi. Além disso, trata-se de uma organização com experiência no terreno e que manteve uma ligação com a al Qaida principalmente na luta contra a invasão norte-americana do Iraque. Segundo um estudo realizado pela Academia Militar de West Point nos Estados Unidos, com base em documentos sobre 600 “jihadistas” recolhidos no Iraque, a Líbia contribuiu com o maior número combatentes islâmicos por milhão de habitante para a guerra contra a invasão norte-americana para tomar conta do território iraquiano. O Grupo Islâmico Combatente, enraizado principalmente no eixo Benghazi-Tobruk, sobretudo no “emirado” de Derna, foi a entidade mobilizadora desse recrutamento. O grupo nasceu durante os anos noventa com base no regresso à Líbia dos combatentes islâmicos que estiveram no Afeganistão.
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