Facebook
The Week

Miguel Portas

Copy/Paste

The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


Ler Mais...
Mil Palavras
Instantâneos
Reflexões

O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Novo governador militar de Tripoli é um veterano guerreiro fundamentalista islâmico PDF Versão para impressão
Sexta, 26 Agosto 2011 11:55

belhaj04

Abdel Hakim Belhaj, o novo governador militar de Tripoli à cabeça das tropas apoiadas pela NATO, é um velho dirigente e combatente de grupos fundamentalistas islâmicos, fundador e “emir” do Grupo Islâmico Combatente da Líbia (GICL), organização conhecida por manter laços operacionais com a al Qaida no Iraque, segundo informações divulgadas sexta-feira pelo diário francês Libération.

“Ganhámos a batalha de Tripoli, eles fugiram como ratos”, é uma citação atribuída ao novo governador de Tripoli, um dos principais chefes militares do Conselho Nacional de Transição, a organização a quem a chamada comunidade internacional atribui o poder legítimo na Líbia. A vizinha Argélia, contudo, conhecendo os objectivos do radicalismo islâmico no Magrebe e vivendo a experiência das sua intervenção no território, ainda não reconheceu o CNT.

De acordo com o retrato traçado pelo Libération, Abdel Hakim Belhaj é mais conhecido pela CIA como Abdallah al Salek, com a qual colaborou como cabo de guerra dos mujahidinnes contra a presença soviética no Afeganistão e que depois o prendeu em 2003 pelas suas ligações à al Qaida no Afeganistão e na Malásia.

Em 2004 a CIA entregou Belhaj a Khaddafi, por ser o principal dirigente do Grupo Combatente Islâmico, e este encarcerou-o juntamente com centenas de outros militantes, sob a acusação de terem patrocinado uma conspiração para o derrubar. Os fundamentalistas islâmicos acabaram por ser libertados em 2009 graças ao trabalho junto de Khaddafi exercido pelo então ministro da Justiça, Mustapha Abdeljalil, hoje o presidente do Conselho Nacional de Transição.

Abdel Hakim Belhaj é considerado um “ultra radical islâmico” e um destacado militante “jihadista”, designação que tem vindo a substituir gradualmente a palavra “terrorista” nos meios de comunicação internacionais que se colocaram desde o início ao lado da NATO na agressão à Líbia.

O Libération afirma que os principais postos militares de comando do CNT são quase todos ocupados por quadros do Grupo Islâmico Combatente, que chegou a dispor de dois campos de treino no Afeganistão no quadro do combate contra a presença soviética dirigido pelos serviços secretos norte-americanos, britânicos, paquistaneses e sauditas, com o envolvimento de Bin Laden.

Segundo o jornal, Belhaj e outros comandantes terão “renunciado” à “guerra santa” (jihad), reconhecendo, no entanto, que este é um facto que deixa sempre dúvidas quando se trata de questões de fanatismo religioso. O cenário político-militar que começa a ser construído na Líbia adquire semelhanças com o que se passou no Kosovo, onde figuras do conhecido grupo terrorista Exército de Libertação do Kosovo, apoiado pela NATO, assumiram depois as principais funções políticas e “democráticas” na gestão do protectorado, com cobertura militar dos países da NATO.

O Libération assinala que o CIGL tem condições para conquistar apoios em tribos, clãs e grupos religiosos, principalmente da Tripolitânia, pelo facto de ser a única organização que agiu de facto como oposição a Khaddafi. Além disso, trata-se de uma organização com experiência no terreno e que manteve uma ligação com a al Qaida principalmente na luta contra a invasão norte-americana do Iraque.

Segundo um estudo realizado pela Academia Militar de West Point nos Estados Unidos, com base em documentos sobre 600 “jihadistas” recolhidos no Iraque, a Líbia contribuiu com o maior número combatentes islâmicos por milhão de habitante para a guerra contra a invasão norte-americana para tomar conta do território iraquiano. O Grupo Islâmico Combatente, enraizado principalmente no eixo Benghazi-Tobruk, sobretudo no “emirado” de Derna, foi a entidade mobilizadora desse recrutamento. O grupo nasceu durante os anos noventa com base no regresso à Líbia dos combatentes islâmicos que estiveram no Afeganistão.