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Documento do regime Merkel, Janeiro de 2012

Dado o cumprimento decepcionante até agora, a Grécia tem de aceitar deslocar a soberania orçamental para o nível europeu durante algum tempo

Miguel Portas

O power point

O Conselho Europeu de fim de Janeiro incluiu na sua agenda a palavra maldita dos últimos dois anos: “crescimento”. Terão os 27 chefes de Estado e de governo da União mudado de ideias? Convenceram-se que, afinal, temos um problema de crescimento? Entraram no campeonato do relançamento económico? Sabem, ao menos, se ele é compaginável com a austeridade?


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Mil Palavras

Parlamento da Polónia, Janeiro de 2012

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Protesto de deputados contra o tratado ACTA e a censura na internet

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Reflexões

Um olhar lúcido sobre a Síria

Bashar Assad, presidente sírio, proferiu o seu primeiro discurso em seis meses, prometeu um referendo constitucional em Março e eleições em seis meses. O que mudou? Para já nada. A ditadura está sem saída e as oposições giram na vertigem das conspirações externas e manipulações religiosas. Robert Fisk, jornalista que conhece e observa o Médio Oriente sem preconceitos, deixa-nos neste artigo publicado no Guardian o resultado de um olhar lúcido sobre a Síria.

Estratégia de Washington derrotada nas urnas iraquianas PDF Print
Written by José Goulão   

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O cenário político, militar e estratégico deixado pelas eleições gerais no Iraque ilustra todas as contradições decorrentes de um processo que começou mal, evoluiu pior e nas vésperas da anunciada saída dos invasores emerge carregado de incertezas, a mais grave das quais é não poder afirmar-se que o espectro da guerra civil está afastado. Hoje, num paradoxo que diz muito, já nem os adeptos incondicionais da invasão se atrevem a saudar o modo como decorreram as eleições - no essencial correcto - temendo que o remédio apresentado com capacidade para curar tudo não sirva sequer para garantir o fundamental, uma vida pacífica aos iraquianos.

 

O vencedor proclamado das eleições gerais de 7 de Março, o Movimento Nacional Iraquiano, Iraqyia, não era o esperado nem o desejado pelos generais e estrategos das forças invasoras mas isso não significa que o seu principal dirigente, Iyad Alawi, seja um outsider da elite política entronizada em Bagdade pelos estrangeiros. Alawi foi o primeiro chefe de governo designado pelos operacionais norte-americanos devido à sua longa história de colaboração com os serviços secretos estrangeiros que, ao longo dos anos, procuraram derrubar Saddam Hussein. Se nos últimos anos Alawi passou por momentos de menor visibilidade nos centros de poder isso deveu-se a divergências estratégicas e não a questões de fundo sobre o comportamento e objectivos dos invasores.

Alawi pertence ao sector endinheirado da maioria xiita iraquiana, é um neurocirurgião com formação no Reino Unido e tem excelentes relações com o regime da Arábia Saudita. A prática política no interior do Iraque e uma avaliação objectiva da situação regional levaram-no a idealizar uma estratégia para o país que se foi diferenciando da dos invasores, sobretudo à medida que os colaboradores mais próximos destes iam acumulando erros sobre erros.

A vitória de Alawi e do seu movimento é uma derrota dos invasores estrangeiros no sentido em se trata de um desmentido prático e uma prova do fracasso da estratégia que em Washington e Londres foi desenhada para o Iraque através da entrega do poder à maioria xiita em bases religiosas e sectárias, apoiada no colaboracionismo curdo e marginalizando em absoluto os sunitas.

O triunfo de Alawi é a vitória da estratégia que defende a integridade do país, o secularismo do Estado e o relacionamento com base nos cidadãos e não nos grupos religiosos e étnicos a que pertencem. Tudo ao contrário do que os invasores praticaram desde 2001, sendo que Alawi não está isento, tentando escrever direito por linhas tortas, de ter as mãos sujas do sangue vertido em acções criminosas norte-americanas, designadamente o massacre de Fallujah.

Os resultados eleitorais anunciados representam, de facto, uma rejeição popular da afirmação da maioria xiita em termos religiosos; e podem considerar-se um referendo contra a política sectária.

A estrutura do movimento Iraqyia reflecte as opções que Alawi entendeu mais correctas para travar o caminho de desintegração do Iraque aberto pela invasão. Apesar de ser um movimento de base xiita, o fundador retirou-lhe a carga religiosa e abriu-o a outras comunidades, sobretudo a sunita - vítima, no fundo, de uma espécie de punição colectiva pela forma como o regime de Saddam a utilizou. Em termos programáticos e de campanha foi o único que cultivou o primado da política nacional sobre as diferenças religiosas e entre as comunidades.

A estratégia resultou: num país cansado de violência religiosa e sectária, o movimento Iraqyia foi o que teve uma votação efectivamente de âmbito nacional, penetrou fundo nos bastiões religiosos xiitas do Sul, conseguiu praticamente o pleno da comunidade sunita e obteve resultados no Curdistão que deixaram os partidos oficiais da região com uma inquietação que não conseguem disfarçar.

Como se esperava, os resultados foram cerrados e a formação de uma coligação de governo parece tarefa muito difícil e demorada porque, apesar das proclamações unitárias do vencedor, os principais adversários estão longe de aceitar esse tom, começando mesmo por não aceitar os resultados. Iraqyia teve 91 deputados, contra 89 da coligação "Estado de Direito" do primeiro ministro em exercício Nuri al-Maliki, 70 dos fundamentalistas xiitas pró-iranianos de Muqtad el-Sadr e 43 das principais organizações curdas. O Parlamento de Bagdade tem 325 lugares; a maioria governamental assegura-se com 163 lugares.

As duas principais forças institucionais pró-americanas - o partido de Maliki e os curdos - não têm maioria; é difícil idealizar uma coligação entre os xiitas de Maliki e os de al-Sadr; Alawi e Maliki, que somam aritmeticamente a maioria necessária, estão de tal modo distantes que só uma imposição das forças estrangeiras pode obrigá-los a unir-se, com a certeza de que não seria por muito tempo.

Os principais aliados dos exércitos invasores não aceitaram ainda os resultados alegando que apenas perderam devido a fraudes eleitorais, exigindo por isso uma recontagem manual.

A Comissão Eleitoral independente assegura que não há necessidade de uma nova contagem global, admitindo que possam fazer-se operações parciais em mesas e distritos onde os protestos sejam fundamentados em factos concretos. A coligação Estado de Direito não apresentou ainda qualquer protesto factual, mantendo-se por enquanto no terreno do lançamento de suspeitas, mesmo que os observadores internacionais e representantes da ONU tenham considerado o processo correcto no fundamental.

A derrotada coligação governamental procura entretanto mobilizar os seus apoiantes para as ruas de Bagdade, agravando um clima de instabilidade que é favorável às organizações fundamentalistas e bombistas contrárias a quaisquer entendimentos baseados no reforço da integridade nacional.

Por essas razões, a situação deteriorou-se nas últimas horas, não apenas devido à instabilidade institucional decorrente da não aceitação dos resultados pelas forças governamentais - xiitas e curdas - mas também pela explosão de bombas que mataram mais de 50 pessoas.

Nas ruas, os manifestantes pró-Maliki acusam Alawi de representar "o regresso de Saddam", facto que não tem qualquer credibilidade objectiva estudando-se o passado político do vencedor das eleições, mas que pode ter efeito junto de camadas descontentes com a situação de impasse e cada vez mais inseguras. Alawi discordou, de facto, do desmantelamento total e sem alternativa assegurada do exército e do aparelho de segurança do regime anterior determinado pelos invasores norte-americanos e o tempo acabou por dar-lhe razão. O desaparecimento absoluto desses mecanismos durante os primeiros anos da invasão contribuiu para a generalização do clima de violência e insegurança, de tal modo que responsáveis norte-americanos se viram na contingência de dar o dito por não dito repescando depois milhares de militares e polícias.

Iyad Alawi e o seu movimento Iraqyia deverão agora ser convidados a formar governo embora o chefe de Estado, o curdo Talabani, integre o grupo de políticos que exige a recontagem manual pelo que não é claro qual vai ser a sua atitude imediata. Se o processo seguir as normas institucionais, o vencedor das eleições terá 30 dias para formar governo; se não conseguir atingir esse objectivo, o chefe de Estado encarregará outro político dessa missão.

Muita água vai correr no Tigre e no Eufrates até que o Iraque tenha um governo que promova a paz em todo o país.

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