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Documento do regime Merkel, Janeiro de 2012

Dado o cumprimento decepcionante até agora, a Grécia tem de aceitar deslocar a soberania orçamental para o nível europeu durante algum tempo

Miguel Portas

O power point

O Conselho Europeu de fim de Janeiro incluiu na sua agenda a palavra maldita dos últimos dois anos: “crescimento”. Terão os 27 chefes de Estado e de governo da União mudado de ideias? Convenceram-se que, afinal, temos um problema de crescimento? Entraram no campeonato do relançamento económico? Sabem, ao menos, se ele é compaginável com a austeridade?


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Um olhar lúcido sobre a Síria

Bashar Assad, presidente sírio, proferiu o seu primeiro discurso em seis meses, prometeu um referendo constitucional em Março e eleições em seis meses. O que mudou? Para já nada. A ditadura está sem saída e as oposições giram na vertigem das conspirações externas e manipulações religiosas. Robert Fisk, jornalista que conhece e observa o Médio Oriente sem preconceitos, deixa-nos neste artigo publicado no Guardian o resultado de um olhar lúcido sobre a Síria.

Gregos dão sinais de alarme PDF Versão para impressão
Quinta, 11 Março 2010 20:07

grecia11demaro

A Grécia paralisou pela segunda vez em duas semanas na sequência de mais uma greve geral contra a "austeridade" governamental que mobilizou os sectores público e privado.

A adesão à greve foi ainda mais intensa que nas duas situações anteriores porque a população começa agora a confrontar-se com as fortes subidas de preços resultantes das medidas governamentais, sobretudo a que determina o aumento do IVA. Com os salários da administração pública a ser cortados, as pensões sociais e os salários em geral congelados, a inflação atingiu quase os três por cento em Fevereiro, ainda sem aplicação total das decisões anti-populares que o governo socialista de Papandreou adoptou para combater o défice público.

Na quinta-feira os aeroportos, os portos e os transportes públicos em geral não funcionaram; o mesmo aconteceu com as escolas, departamentos públicos, autarquias e hospitais, neste caso garantindo apenas os serviços mínimos. Rádios, televisões e jornais também paralisaram porque os jornalistas e outros trabalhadores da comunicação aderiram ao movimento e juntaram-se às manifestações que assinalaram a jornada de luta. O governo enviou a polícia para intimidar a luta e agredir manifestantes que se distinguiram pela agressividade, mas centenas de polícias juntaram-se igualmente ao movimento respeitando, porém, as restrições legais impostas aos seus direitos de cidadania. Fizeram uma concentração pública prévia à manifestação e não se integraram no desfile, mas deixaram deste modo assinalado o seu descontentamento.

Yiannis Fanariotis, secretário geral de uma associação policial, declarou às agências internacionais que a polícia e as forças de segurança em geral estão particularmente descontentes com os efeitos que as medidas governamentais têm sobre as suas actividades uma vez que os seus salários "já são muito baixos". A adesão aos protestos "é lógica", segundo o dirigente da associação, "porque somos trabalhadores como os outros e queremos expressar os nossos direitos".

Durante as manifestações, que juntaram dezenas de milhares de pessoas em várias cidades do país, alguns participantes mascararam-se de porcos numa alusão à sigla "pigs" que se refere aos países nos quais a União Europeia exige a aplicação de medidas drásticas contra o défice público e que, em todos os casos, atingem principalmente as classes médias e os sectores mais desfavorecidos das populações. Outros manifestantes faziam ouvir tambores enquanto em volta as vozes gritavam "não vamos sacrificar-nos pela plutocracia" e "empregos reais, salários mais altos". Em muitas janelas e varandas foram colocados panos onde se lia: "não fazemos mais sacrifícios, guerra contra a guerra".

Dois dias depois de o primeiro ministro ter pedido apoio a Obama nos Estados Unidos, o ministro grego das Finanças admitiu pela primeira vez que actividades financeiras especulativas podem ter responsabilidades no défice grego. Apesar disso, o governo mantém todo o programa de austeridade destinado a reduzir o défice a três por cendo em 2012 (12,7 por cento actualmente). Atenas continua a encarar a hipótese de recorrer ao Fundo Monetário Internacional para financiar o combate à dívida.

O impacto da subida da inflação nos bens essenciais está a tornar-se alarmante para a população da Grécia, onde cerca de 20 por cento das pessoas vivem abaixo do limiar de pobreza, a reforma mínima é de 280 euros e o salário médio não ultrapassa os 800 euros. "A comida é realmente cara, as pessoas não podem suportar mais e estão realmente desesperadas", desabafou Kostas Balomenos, um reformado entrevistado pela televisão Euronews, numa altura em que os preços não reflectem ainda em pleno as subidas do IVA. Um simples café, bebida nacional no país, custa 2,5 euros mesmo nos bairros mais populares.