| Irão estica a corda |
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| Segunda, 08 Fevereiro 2010 17:26 | |||
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Irão vai enriquecer urânio. Estados Unidos querem agravar sanções. Novos passos no pior sentido. Mahmud Ahmedinadjad, o presidente iraniano, surpreendeu o mundo no início de Fevereiro ao anunciar a disponibilidade do país para permitir que o urânio necessário ao seu programa nucler civil fosse enriquecido no estrangeiro. Esta decisão parecia corresponder à aceitação das propostas formuladas pelas Nações Unidas sobre essa matéria. Admitiu-se que a iniciativa de Teerão pudesse ser uma cedência perante a intensificação da presão militar dos Estados Unidos com a realização de exercícios na região e o rearmamento de países vizinhos, designadamente a Arábia Saudita. Os Estados Unidos e os seus mais próximos aliados no cerco ao Irão optaram por não reagir ao anúncio de Ahmedinadjad e os poucos comentários que foram feitos sobre o assunto caracterizaram-se pelo cepticismo. Numa posição conjunta divulgada entretanto, representantes norte-americanos e alemães afirmaram que nada tinham visto de novo na declaração iraniana. Na sexta-feira,dia 5, logo a seguir a uma reunião entre representantes iranianos e altos responsáveis da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o presidente iraniano declarou publicamente a intenção de proceder ao enriquecimento de urânio a 20 por cento, decisão que é um desafio às posições internacionais patrocinadas pelos Estados Unidos em relação ao programa nuclear de Teerão. Ahmedinadjad explicou que a iniciativa é a resposta adequada às sanções internacionais tendo em conta o alegado aumento de necessidades de urânio em condições de fazer face aos tratamentos de doentes com cancro. De acordo com a intervenção proferida numa visita oficial, o presidente iraniano disse que o reactor nuclear de Teerão começa a ter falta de combustível e caso venha a parar será um problema para os doentes que precisam de terapia radioactiva. Manucher Mattaki, o chefe da delegação iraniana à reunião na AIEA, anunciara, porém, que se tratara de um "bom encontro", nada fazendo então prever que os acontecimentos se precipitassem; o presidente da AIEA comentou, por seu turno, que o diálogo continua mas é necessário acelerá-lo para que sejam medidas concretas no âmbiito das propostas da ONU. Aparentemente o regime de Teerão pretende manter o programa de desenvolvimento nuclear enquanto mantém as negociações sobre as propostas de enriquecimento no estrangeiro. As reacções dominantes a esta situação vão no sentido do agravamento das sanções a Teerão, sabendo-se, por outro lado, que a tensão militar continua a crescer. Robert Gates, secretário norte-americano da Defesa, declarou que "devemos ainda tentar um caminho pacífico para resolver o assunto" e o único que citou foi "o da pressão sobre o Irão", sendo para isso necessário "que toda a comunidade internacional trabalhe em conjunto". Um dos factos relevantes desta declaração é ter sido feita por um responsável pelo sector militar, que se encontrava acompanhado pelo homólogo francês, Hervé Morin.
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