| "Uma grande greve geral" |
| Tuesday, 29 November 2011 11:40 | |||
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“Uma grande greve geral, com maior adesão e mobilização do que a de há um ano”, assim foi o balanço resumido da jornada de 24 de Novembro apresentado por Carvalho da Silva e João Proença. A greve geral teve uma “adesão excepcional” em todo o país abrangendo todos os sectores da administração pública, a generalidade das actividades do sector privado e foi transversal a homens, mulheres, jovens, trabalhadores com vínculo e precários”, concluíram os dirigentes da CGTP e da UGT num primeiro balanço conjunto feito ao final da tarde de quinta-feira em conferência de imprensa na sede da UGT. Carvalho da Silva e João Proença qualificaram os números divulgados pelo governo como uma “falsidade”, um exemplo “coerente” do tipo de “rigor” que o executivo utiliza na sua gestão do país. Os dois dirigentes demarcaram-se dos casos de violência ocorridos num sector de manifestantes junto à escadaria da Assembleia da República e Carvalho da Silva não excluiu a possibilidade de se tratar de episódios de provocação para desviar as atenções da realidade que foi a grande mobilização popular. O secretário-geral da UGT, João Proença, sublinhou que “não é possível tentar disfarçar” a realidade da greve geral, pelo que os números apresentados pelo governo “ultrapassam todos os limites da decência”. Pelo contrário, salientou, “é fundamental que o governo e os empregadores saibam ler os números desta greve”. João Proença acrescentou que o governo nem se preocupou em fazer um levantamento das adesões sector por sector, pelo que os números apresentados são exemplo de “manipulação e incompetência”. Entre os dados governamentais citados pelo dirigente da UGT salientam-se casos totalmente inverosímeis como o de zero adesões na Direcção Geral de Alfândegas, onde são conhecidos casos de grandes mobilizações na luta laboral, e de zero adesões na Universidade de Coimbra, de facto com o funcionamento muito atingido pela paralisação. Carvalho da Silva salientou não apenas a mobilização e envergadura da greve geral como também a dinâmica da sua preparação, que envolveu diferenciados estratos e sectores da sociedade civil e que trouxe à tona temas e debates que nem sempre são abordados. E lembrou também o caso de figuras da área do governo segundo as quais o orçamento de Estado para 2012 não vai resolver qualquer dos problemas com que se debate a situação portuguesa, tendendo a agravá-los. Carvalho da Silva e João Proença sublinharam que a luta vai continuar enquanto existirem as razões para a desenvolver porque o que está em causa é o empobrecimento da população, a supressão de direitos sociais – “alguns que já vêm do primeiro Primeiro de Maio”, disse o dirigente da UGT – a criação de dificuldades de vida acrescidas aos sectores mais desfavorecidos, o desrespeito pelos mecanismos de negociações e consulta, pelos valores e práticas democráticas, os contínuos aumentos do desemprego e da austeridade. Os dirigentes sindicais afirmaram que o quadro de “pressões e chantagens” atinge tais dimensões que “hoje muitos portugueses estão impedidos de pensar e agir livremente”. Durante a jornada de greve geral os transportes estiveram praticamente parados, a administração pública, central e local, reflectiu os efeitos em todas as áreas de actividade, numerosas escolas estiveram encerradas em todo o país e o movimento fez-se igualmente sentir no ensino superior, em muitas universidades públicas e também privadas. Os principais hospitais do país funcionaram apenas com os serviços mínimos e registaram elevadas percentagens de paralisação. A greve foi total em grandes zonas industriais do país, designadamente o pólo de Palmela, que inclui a Auto-Europa e que congrega grande percentagem da actividade exportadora portuguesa. Os portos, que são sector privado, lembrou Carvalho da Silva, não funcionaram e muitos navios de carga e passageiros tiveram de procurar destinos fora de Portugal. A greve geral foi um grande movimento pacífico de luta, com casos pontuais de violência que lhe foram alheios. De manhã foram arremessados engenhos artesanais contra três repartições de finanças de Lisboa que não fizeram vítimas e provocaram limitados prejuízos materiais; à tarde, depois de encerrada a concentração junto à Assembleia da República com que terminou a manifestação da CGTP, um limitado grupo de indivíduos fez menção de subir as escadarias do Parlamento, acção imediatamente reprimida pela polícia. Alguns manifestantes foram detidos e, se houver das autoridades vontade de esclarecer o que de facto suscitou estes acontecimentos, o exame das imagens de televisão permitirá perceber os mecanismos de acção e incitamento. Carvalho da Silva e João Proença demarcaram-se dos episódios de violência acrescentando que ambas as centrais sindicais sabem muito bem como evitar acções que extravasem o carácter pacífico da luta embora seja inevitável, segundo o secretário-geral da CGTP, que o agravamento constante da austeridade e das dificuldades sociais seja propício ao aparecimento de fenómenos de “radicalismo”. A violência, a chantagem e as pressões, no entanto, devem ser encontradas noutro lado que não o dos trabalhadores, sublinharam os dirigentes sindicais. Durante todo o dia, denunciaram, registaram-se da parte de responsáveis da administração pública e de entidades patronais pressões e ameaças para evitar adesões à greve. Por outro lado, houve casos de proprietários de pequenas e médias empresas que se solidarizaram com o movimento laboral e compreenderam as razões dos trabalhadores para o realizar. Na sua alocução no final da manifestação em Lisboa, Carvalho da Silva sublinhou que esta foi uma jornada de luta “em esforço” porque à grande maioria dos participantes, nestes tempos de grandes dificuldades, fará muita falta o dia de salário perdido. No entanto, acrescentou, a luta vai continuar “contra o aumento da exploração, que é violenta”. “A luta vai necessariamente continuar”, disse o secretário-geral da CGTP. Por exemplo, “os trabalhadores não vão permitir o aumento do horário de trabalho, na verdade um caso ilegal de trabalho forçado, vão recorrer aos mecanismos legais porque é o governo que tem problemas com a legalidade”. Portugal em greve pela defesa dos direitos humanos
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