| Sarkozy socorre-se do nacionalismo |
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| Written by Redacção de The Week | |||
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A onze meses das eleições presidenciais, com o seu ministro do Trabalho alegadamente envolvido num escândalo político-fiscal e com o mais baixo índice de popularidade de sempre, o presidente francês, Nicholas Sarkozy, endureceu o discurso contra os cidadãos de ascendência estrangeira como tentativa para recuperar apoio. A estratégia parte do princípio de que a sua eleição como presidente assentou num discurso nacionalista com ressonâncias xenófobas. A intervenção presidencial foi feita em Grenoble na sequência de incidentes registados entre jovens e a polícia durante o mês de Julho. A crise iniciou-se quando um homem de 27 anos, Karim Boudouda, foi morto pela polícia à porta de casa depois de alegadamente ter tentado assaltar um casino. Nos tumultos que se seguiram, e durante as quais dezenas de pessoas atacaram uma esquadra da polícia, foram destruídos pelo menos cinquenta veículos. As forças policiais recorreram a balas reais durante as operações repressivas. No seu discurso, Sarkozy prometeu que a nacionalidade francesa será retirada a qualquer indivíduo de origem estrangeira que "ameace a vida de um agente da polícia ou de alguém envolvido na manutenção da ordem pública". Ainda de acordo com o discurso presidencial, o governo pretende tornar mais longas as penas de prisão para os crimes violentos e adoptar medidas que dificultem a obtenção da cidadania francesa por estrangeiros que enquanto jovens tenham tido problemas com a justiça. "A guerra que decidi travar contra os traficantes, contra os vadios é uma guerra nacional e durará vários anos", acrescentou. Quarta-feira o presidente francês ordenara o desmantelamento de 300 acampamentos considerados ilegais de viajantes e ciganos e a expulsão de ciganos romenos e búlgaros acusados de terem participado em distúrbios públicos. Dirigentes de organizações políticas de vários quadrantes, incluindo alguns que até há pouco militavam nas fileiras presidenciais, condenaram o discurso de Sarkozy. "Uma nova etapa, perigosa e indigna, de uma escalada populista e xenófoba", comentou a ex-candidata socialista à presidência, Segolène Royal. A Liga dos Direitos Humanos, por seu turno, sublinhou que recorrer a "slogans dos anos trinta" em relação aos estrangeiros "é a maneira mais insuportável de avivar os ódios". Várias declarações salientaram que o presidente pretende deslocar o centro das atenções para a questão da delinquência numa altura em que se prepara para reforçar as medidas de austeridade contra a população, designadamente através de cortes nas pensões sociais.
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