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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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A lição do super-espião

Cerca de um ano depois de ter abandonado funções, o super-espião e carismático chefe da Mossad israelita Meir Dagan abre o livro e deixa Netanyahu a falar sozinho na ameaça ao Irão. O homem mais bem informado de Israel diz numa entrevista ao programa 60 Minutos da CBS que o Irão não está actualmente a trabalhar na bomba atómica, que um ataque militar era uma "decisão incorrecta" que poderia ter consequências trágicas e não resolveria o problema. E diz ainda que, à sua maneira, o regime iraniano é "racional" no modo como aplica a sua "negociação de bazar". Para reflectir.

Das esquerdas... PDF Print
Written by Redacção de The Week   

Por Miguel Portas

 

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"O PEC faz as escolhas que menos penalizam a economia", Vital Moreira

 

Diz Vital Moreira (VM) no Público que há duas – a dele e a do BE /PCP – e que "o que as separa é mais do que o que as une". Bom, só duas não serão, mas o meu estimado amigo gosta de simplificar as coisas, por facilidade de argumento. Tendo, contudo, a concordar com ele enquanto me lembrar do PEC apresentado pelo seu governo. Poderia, até, acrescentar, sem excessiva liberalidade, que "o que une hoje o governo às direitas é bem mais do que o que os possa dividir".

 

Deixem para lá o folhetim das primárias PSD, onde cada um procura mostrar mais músculo do que o outro, e concentremo-nos no PEC que Cavaco Silva abençoará depois de ungido por Durão Barroso. O PEC é, de facto, o cimento que separa as águas.

VM cultiva a escrita ordenada e gosta de começar pelo "era uma vez". Diz ele que antes da crise financeira estávamos bem, assentes na "trilogia da disciplina das finanças públicas, da modernização do país e da consolidação e aprofundamento do Estado social". Cada um vê a realidade à luz da cadeira em que se senta. Eu poderia tentar explicar ao meu oponente que boa parte da população portuguesa nunca viveu senão em cenário de crise e com vidas em crise. Mas é capaz de ser melhor cingir-me às estatísticas que registam a quebra do poder de compra dos salários desde 2003, ou as que medem a "modernização do país" comparando as taxas de crescimento do PIB per capita entre os países da zona euro e Portugal: desde 2002 foi sempre a divergir. De facto, a divergência começa no diagnóstico, ele culpando a crise internacional, eu sustentando que esta cavalgou a que já cá estava. Mas deixemos o passado, que aliás convoca igualmente as responsabilidades da direita e muito em particular Cavaco Silva, o maior de todos os "despesistas", e passemos ao futuro, que é disso que trata o PEC.

Jura VM que o documento é "credível e em geral socialmente justo". Acrescenta que fez "as escolhas que menos penalizam a economia" e, pasme-se, "os grupos sociais de menores rendimentos". Exulta, até, porque "sobrecarrega quem mais pode". Para este tipo de dislates os brasileiros têm uma piada – só contaram p´ra você. Eu acho simplesmente que o meu colega foi contaminado pela "cegueira dos de cima", muito comum em Bruxelas. Vital não percebe, sequer, o erro em que incorre. Com estes argumentos, ele não ataca a "segunda esquerda", a façanhuda, mas os seus camaradas de partido, de Manuel Alegre a Mário Soares, de João Cravinho a Vera Jardim, passando por mais não sei quantos que se têm oposto às privatizações, aos cortes nos programas sociais e à falta de coragem para taxar a realização de mais valias em bolsa. No afã de defender o chefe, Vital, convertido à ortodoxia, não é mais do que uma pálida imagem dos seus tempos de heterodoxia. É pena.

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