| Bertinoti: Investigar as formas de trabalho |
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| Written by João Macdonald | |||
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O histórico comunista Fausto Bertinotti esteve esta semana em Bruxelas para apresentar uma proposta de vasta pesquisa sobre as condições do trabalho na Europa. Um tal estudo melhoraria a representatividade da esquerda, defendeu.
“É necessária uma grande pesquisa sobre o trabalho na Europa para podermos repensar a esquerda”, disse Fausto Bertinotti esta semana num encontro realizado no Parlamento Europeu (PE), em Bruxelas. Bertinotti foi sindicalista e é um dos mais influentes políticos da Itália. Em 1993 entrou para o Partido da Refundação Comunista (PRC) do qual se tornou secretário em 1994 (ano em que também foi eleito para o Parlamento Europeu, onde foi eurodeputado até 2006), posto que ocupou até 2008. Num encontro com eurodeputados do grupo parlamentar Esquerda Unitária, Bertinotti definiu em traços largos aquele que é, na sua opinião, o principal problema das forças de esquerda no Velho Continente. Para o italiano, as profundas transformações das últimas três décadas no operariado, em todos os seus aspectos, alteraram a forma como partidos, sindicatos e associações lidam com as novas formas de trabalho. Por outras palavras, existe uma assimetria e alguma desactualização no modo como as organizações colectivas lidam com a efectiva realidade dos trabalhadores. Daí, entre outros problemas, a diminuição de votos nos partidos mais à esquerda. Bertinotti considera que a solução é simples, mas de aplicação complexa. O membro do PRC propõe uma grande pesquisa académica à escala europeia, a partir de instituições universitárias sensíveis a este problema e que de alguma maneira já estejam em contacto com as forças políticas em questão, para fazer uma “mega-radiografia” do mundo do operariado europeu actual, desde as faixas intelectuais às fabris e camponesas. Só com a posse dos dados de tal vasto estudo seria possível reinventar a fórmula de acção política e melhorar a representatividade dos trabalhadores. A própria associação italiana que trouxe Bertinotti esta semana ao PE, em colaboração com a Esquerda Unitária, é um esboço dessas intenções: chama-se Altramente (www.altramente.info) e apresenta-se como “uma escola de educação cívica e política independente. Espaço público para a autonomia crítica ao serviço das pessoas. É um lugar de pesquisa, desenvolvimento da memória, mas também do saber-fazer”. A Altramente dirige-se a jovens estudantes e recém-licenciados, assistentes sociais e representantes institucionais dos territórios. O horizonte da associação é definido por três áreas principais: trabalho, direitos humanos e meio-ambiente. “É uma tríade virtuosa e não divisível nesta era de globalização e de crise”, dizem os responsáveis. “Entre a regressão dramática das condições de emprego, o crescimento anormal das desigualdades sociais e culturais e a insustentabilidade do actual modelo de desenvolvimento, a conexão parece-nos convincente.” A Altramente propõe-se “ser parte de um projecto que envolve e transcende a escola: o renascimento da democracia”, o que concorda com o plano de pesquisa proposto por Fausto Bertinotti. Recentes intervenções de Fausto Bertinotti: http://www.youtube.com/watch?v=cKHiAtJmmpk http://www.youtube.com/watch?v=ML5N61EL0I4
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