| Espiões públicos com part-times privados |
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| Written by Redacção de The Week | |||
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Sam Crees
Agentes da CIA fazem horas extraordinárias para empresas privadas
Por Kasie Hunt e Josh Gerstein
A presidente da Comissão do Senado dos Estados Unidos da América para os Serviços Secretos, Dianne Feinstein, afirma que quer respostas sobre a política da Agência Central de Inteligência (CIA) que permite aos funcionários da agência trabalharem para empresas privadas. “Estou preocupada e pretendo colocar questões sobre o assunto”, disse Feinstein. A política da CIA – divulgada em primeira mão pelo jornalista do site Politico, Eamon Javers, num artigo retirado de um livro prestes a ser publicado – está também a ser analisada pela equipa da Comissão dos Serviços Secretos da Câmara dos Representantes, afirmou a porta-voz Courtney Littig. O porta-voz da CIA, George Little, defendeu a política em questão afirmando que os pedidos dos funcionários para trabalhar em empresas privadas são analisados caso a caso. “A agência analisa os pedidos para emprego externo usando critérios de legalidade, justeza e, claro, segurança”, disse Little. “Há um processo rigoroso para tudo isto, que está a ser usado há décadas.” Little disse que a missão da CIA “vem sempre – sempre – em primeiro lugar quando tais pedidos são examinados para aprovação ou recusa. É errado pensar que estes indivíduos simplesmente transferiram os actuais métodos operacionais de espionagem para uma empresa com fins lucrativos. Não.” Mas observadores de longa data da agência disseram que ficaram chocados ao saber que os agentes podem trabalhar para empresas privadas – e que a prática levanta uma série de preocupações, incluindo a possibilidade de os agentes que trabalham fora terem conflitos de interesses. “Estou surpreendido, e penso que é negativo”, afirmou o professor de direito John Radsan, antigo funcionário da CIA, que escreveu extensivamente sobre os obstáculos internos na comunidade dos serviços secretos. “Idealmente, [os agentes] deviam ter um emprego a tempo inteiro, a sua lealdade devia ser integralmente para com o governo e deviam procurar construir aí as suas carreiras.” Um responsável do FBI disse entretanto que esta agência tem limites estritos em relação ao trabalho externo por parte dos seus funcionários. “Os nossos agentes estão proibidos de ter um emprego externo, ponto final,” disse o responsável, que pediu para não ser citado. O pessoal de apoio pode ter um emprego externo com autorização, mas não na mesma área do seu emprego no governo, disse o responsável. Outras agências dentro da comunidade dos Serviços Secretos permitem emprego externo com autorização prévia. O Departamento da Defesa – que inclui a Agência de Segurança Nacional e a Agência dos Serviços Secretos de Defesa – permite segundos empregos, desde que não violem nenhuma lei. O Departamento de Segurança Interna segue as directrizes do Departamento de Ética para o Governo. Os funcionários do Departamento do Director dos Serviços Secretos Nacionais podem ter um segundo emprego, com autorização. O Departamento do Director dos Serviços Secretos Nacionais “tem uma política no que diz respeito aos empregos externos. Existem vários níveis de análise para determinar se vão surgir quaisquer questões de segurança ou legais e se o emprego irá criar conflitos de interesse, problemas de contra-espionagem ou preocupações relacionadas. O processo de análise é rigoroso e abrangente,” disse o porta-voz do Departamento. Little disse que a CIA é cuidadosa na prevenção de conflitos – e que os seus funcionários devem ser livres de trabalhar para empresas externas quando é apropriado. “O facto de as pessoas terem energia e criatividade para gerir um negócio fora do horário de trabalho não devia ser motivo de recriminação”, disse Little. “Estamos nos Estados Unidos, afinal de contas.” Os defensores desta política também explicam que ela permite à comunidade dos serviços secretos manter profissionais que de outro modo trocariam o serviço público por empregos no sector privado, que podem render até três vezes mais. Mas alguns especialistas de serviços secretos afirmam que o “êxodo” que a CIA está a tentar evitar com esta política resulta, em grande parte, da prática da própria agência. “É o resultado de terem contratado externamente tanto trabalho de espionagem; os fornecedores de serviços secretos pagam salários mais elevados e competem entre si pelos funcionários das agências”, diz Kate Martin, do Centro para os Estudos de Segurança Nacional. Feinstein, democrata da Califórnia, já anteriormente tinha abordado a utilização por parte da CIA de trabalhadores externos e criticou o director da CIA, Leon Panetta, a propósito desta questão durante as audiências de confirmação no ano passado. O número de trabalhadores externos da CIA duplicou entre 2001 e 2006, disse então Feinstein. Panetta respondeu que a situação era má para a moral e que a agência tinha a “responsabilidade” de fazer ainda mais trabalho interno dos serviços secretos. “Reconheço que, na sequência do 11 de Setembro, havia a necessidade de procurar entidades externas para tentar corresponder às exigências e expectativas que a CIA, por falta de pessoal, não tinha os recursos para fazer”, disse Panetta na altura. “Fico muito nervoso por depender de fornecedores externos para fazer esse trabalho (A) porque não tenho a certeza a quem reportam, e (B) por vezes, quando um funcionário da CIA sai e é contratado por uma entidade externa e depois regressa isso não é muito bom para a moral na CIA”, disse.
As revelações sobre a política da CIA estão incluídas no livro de Javers que está prestes a ser publicado, “Broker, Trader, Lawyer, Spy: The Secret World of Corporate Espionage.” Artigo original de: Tradução de Rita Taborda
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