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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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A lição do super-espião

Cerca de um ano depois de ter abandonado funções, o super-espião e carismático chefe da Mossad israelita Meir Dagan abre o livro e deixa Netanyahu a falar sozinho na ameaça ao Irão. O homem mais bem informado de Israel diz numa entrevista ao programa 60 Minutos da CBS que o Irão não está actualmente a trabalhar na bomba atómica, que um ataque militar era uma "decisão incorrecta" que poderia ter consequências trágicas e não resolveria o problema. E diz ainda que, à sua maneira, o regime iraniano é "racional" no modo como aplica a sua "negociação de bazar". Para reflectir.

Gates acusa a Europa de "pacifismo" PDF Print
Written by Redacção de The Week   

Robert Gates, o secretário da defesa norte-americano que transitou da Administração de Bush para a de Obama, acusa a Europa de estar apegada ao "pacifismo" e de, com isso, ameaçar a integridade da NATO. Num discurso para consumo interno destinado a militares de média e alta patente, Gates afirmou que os países europeus da NATO estão a prejudicar o esforço de guerra norte-americano e que a "desmilitarização da Europa" passou de benção a "obstáculo à segurança e à paz". O discurso foi proferido num contexto de elaboração da nova doutrina estratégica da NATO a discutir na cimeira de Novembro em Lisboa. Gates considerou imprescindível que a NATO deixe de ser uma organização "estática e defensiva", uma "mesa redonda ou para retiros de fim de semana" para passar a ser "expedicionária". Um artigo revelador.

 

europapacifismo01

 

Por Bill Van Auken

No meio dos crescentes receios em Washington de que governos europeus possam retirar as tropas do Afeganistão, exactamente quando os Estados Unidos aí intensificam a guerra, o secretário da Defesa, Robert Gates, fez um discurso em que criticou a Europa pela insuficiente militarização e alertou para uma crise aprofundada na aliança da NATO.

Gates fez o discurso a 23 de Fevereiro na Universidade de Defesa Nacional em Washington, um centro de instrução para militares de nível médio e superior. A audiência era um fórum sobre a revisão do “conceito estratégico” – essencialmente a declaração de princípios – da Organização do Tratado do Atlântico Norte.

A revisão da declaração está a ser conduzida por um painel liderado pela antiga secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright, e o ante-projecto será apresentado na cimeira da NATO em Lisboa, em Novembro.

As críticas de Gates surgiram apenas três dias depois de o governo holandês se ter desintegrado por causa da presença de cerca de dois mil militares no Afeganistão. O Partido Trabalhista, um dos parceiros da coligação de governo, recusou apoiar o prolongamento da colocação por mais um ano, definindo o período de retirada no final de 2010.

Há uma forte oposição popular na Holanda à guerra no Afeganistão, tal como em toda a Europa. A preocupação nos círculos do poder norte-americano é que uma retirada holandesa pode abrir um precedente para outros membros da NATO seguirem o mesmo caminho.

Com o número total de tropas norte-americanas mortas na “Operação Liberdade Duradoura”, centrada no Afeganistão, a atingir o número 1000, e os generais norte-americanos a preverem meses ainda mais sangrentos, Washington está ansioso por diminuir a oposição interna à guerra utilizando mais soldados europeus como carne para canhão.

Gates insistiu que para atingir este objectivo os governos europeus têm de enfrentar tendências ”culturais e políticas” profundas.

“Um dos triunfos do último século foi a pacificação da Europa depois de séculos de guerra ruinosa”, afirmou. “Mas, como disse antes, acredito que chegámos a um ponto de inflexão, no qual a maior parte do continente foi demasiado longe na direcção oposta.”

Gates continuou: “A desmilitarização da Europa – reveladora de que largas parcelas do público em geral e da classe política são adversas à força militar e aos riscos que a acompanham – passou de uma bênção no século XX a um obstáculo para alcançar verdadeira segurança e paz duradoura no século XXI.

“Não apenas a fraqueza real ou reconhecida pode ser uma tentação para os erros de cálculo e a agressão, mas, a um nível mais básico, as decorrentes insuficiências de financiamentos e de capacidades tornam difícil operar e combater em conjunto as ameaças comuns", acrescentou o secretário norte-americano da Defesa.

O conceito de que a “paz duradoura” no século actual pode ser alcançada apenas por afrontar a aversão popular à guerra e pelo fortalecimento das forças armadas das nações do continente será sem dúvida encarado como perverso na própria Europa. A militarização europeia na primeira metade do último século antecedeu duas guerras mundiais e a morte de dezenas de milhões de pessoas.

Subjacentes às observações de Gates estão o aprofundamento das tensões entre a Europa e os Estados Unidos, que ameaçam minar a aliança transatlântica com 60 anos.

No mundo “pós-Guerra Fria, pós-11 de Setembro”, argumentou Gates, a NATO está obrigada a “mudar de uma força estática, defensiva, para uma força expedicionária – de uma aliança defensiva para uma aliança de segurança.”

Na realidade, esta suposta transição de intervenções defensivas para “expedicionárias” tem sido impulsionada por um crescimento explosivo do militarismo norte-americano e pela continuação de duas guerras agressivas – no Iraque e Afeganistão – durante a última década.

Washington está a tentar pressionar os membros europeus da NATO a suportarem mais os custos das guerras dos Estados Unidos, tanto em termos de dinheiro como das vidas das suas tropas.

Gates queixou-se de que os europeus não estão a contribuir com a sua parte. Salientou que enquanto a Administração Obama propôs um orçamento militar recorde superior a 700 mil milhões de dólares para 2011 – cinco por cento do PIB norte-americano – apenas quatro dos 26 membros europeus da NATO orçamentaram mais de dois por cento do seu PIB para gastos militares.

Como resultado, disse Gates, a NATO “enfrenta problemas muito sérios, sistémicos a longo prazo.” Salientou em particular o fracasso dos Estados europeus da NATO em apresentarem propostas para construírem mais aviões de carga e helicópteros, avisando que “a sua ausência está a ter impacto directo nas operações no Afeganistão.”

No que pareceu ser uma forte repreensão a membros da NATO não mencionados, o secretário norte-americano da Defesa evocou as condições que enfrentam as tropas no Afeganistão “vivendo em condições austeras e… enfrentando o fogo inimigo diariamente.”

“É uma advertência forte de que a NATO não é agora, nem nunca deve ser, uma mesa redonda ou retiros de fim-de-semana,” continuou. “É uma aliança militar com obrigações reais que têm consequências de vida ou de morte.”

As divisões dentro da NATO emergiram devido a um grande número de questões. Em relação ao Afeganistão, a Administração Obama tinha pedido a outros países da NATO para se juntarem ao seu “movimento” ao deslocarem mais 10.000 tropas. Apenas 7.000 tinham sido prometidas, e mesmo este número mais baixo inclui soldados já estacionados no país. Além disso, alguns membros europeus da NATO colocaram restrições na missão dos seus contingentes, que limitam o seu papel em combate.

Os poderes europeus apoiaram a guerra dos Estados Unidos no Afeganistão em parte pelo receio de que recusar o apoio podia desagregar a NATO, ficando então sem uma estrutura para a substituir. Além disso, os governos europeus esperam colher alguns dos despojos da guerra predatória em termos de acesso à Bacia do Mar Cáspio, rica em energia, e às rotas do oleoduto para extrair as reservas de petróleo e gás.

Com a eleição de Barack Obama, os governos europeus tinham a esperança de que o carácter unilateralista da política dos Estados Unidos fosse alterado e que seriam tratados como parceiros de Washington. Apesar das mudanças cosméticas e tácticas, contudo, os Estados Unidos continuam a perseguir os seus interesses unilateralmente, exigindo que a Europa aceite as suas decisões e aja em concordância.

Ao ordenar a intensificação da guerra no Afeganistão e a deslocação de mais 30.000 tropas norte-americanas, por exemplo, a Administração Obama agiu sem fazer qualquer consulta aos Estados europeus, apesar do facto de a guerra e a ocupação estarem a ser ostensivamente realizadas sob a bandeira da NATO.

Fortes divisões também emergiram com a expansão da NATO, com a Alemanha e a França relutantes em incluir os países da Europa de leste dependentes de Washington e com receio de provocar Moscovo ao alargar a NATO até às fronteiras da Rússia.

A “Der Spiegel”, entretanto, anuncia que a Alemanha está a exigir que “os Estados Unidos retirem as suas armas nucleares do território germânico.” Aliou-se à Noruega e aos países do Benelux para levantar a questão na conferência da NATO agendada para Abril, em Tallinn, na Estónia. 

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, antecedeu as observações de Gates com o seu próprio discurso na segunda-feira, aumentando as tensões no interior da NATO e falando directamente sobre a posição alemã quanto às armas nucleares, insistindo que devem manter-se.

“Este mundo perigoso ainda exige dissuasão e sabemos que está a haver um debate na Europa, e mesmo entre algumas das nossas nações membros, sobre o que isto significa,” disse. “Vamos esperar que não haja nenhum movimento precipitado que possa minar a capacidade de dissuasão.”

 

Publicado originalmente em World Socialist Web Site, em 26 de Fevereiro de 2010

http://www.wsws.org/index.shtml

Tradução de Rita Taborda

 

 

 

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