| Atenas acatou as ordens de Berlim mas o resgate continua bloqueado |
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| Written by The Week, 18/02/2012 | |||
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O governo alemão diz que “foi só o primeiro passo” e em 27 de Fevereiro o Parlamento de Berlim debaterá o plano de resgate à Grécia depois de adoptado domingo pela maioria dos deputados do Parlamento de Atenas, uma votação marcada pela dissidência de dezenas de deputados dos dois maiores partidos. Só no início de Março, e depois do parecer alemão, a cimeira europeia desbloqueará ou não o segundo resgate de 130 mil milhões de Euros. Entretanto será indispensável que por ordens do Eurogrupo o governo grego aprove mais 325 milhões de euros de cortes sociais em cima do plano de austeridade. Só depois do aval da cimeira europeia se verificará se os bancos privados cumprirão ou não o princípio de acordo de abdicarem de metade da dívida grega, cerca de 103 mil milhões de Euros. Em paralelo à greve geral e às gigantescas manifestações de rua, a actuação de grupos de jovens anarquistas e as continuas provocações policiais, que não pouparam sequer o mítico compositor Mikis Theodorakis, agora com 86 anos, impedido de falar à população nas escadas do Parlamento, agravaram a tensão social em Atenas e em várias cidades gregas. O assalto e incêndio de lojas, bancos, cinemas e edifícios governamentais transformaram a inquietação e revolta popular em sinais cada vez mais fortes de instabilidade continuada nas ruas. Na segunda-feira Atenas surgiu uma cidade com a revolta escrita nas paredes. O executivo colocou nas ruas efectivos policiais desproporcionados e provocatórios. As acções policiais e as respostas de numerosos grupos civis provocaram cerca de 100 feridos e 150 detidos, de acordo com informação da polícia. O governo de Lukas Papademos e os seus pilares políticos – neste momento parte dos grupos parlamentares dos socialistas do PASOK e da direitista Nova Democracia – fizeram aprovar o contestado e cruel plano de austeridade para que possa vir a ser desbloqueado o segundo resgate da troika, o que ainda não é certo. O Eurogrupo decidiu que são necessários cortes suplementares de 325 milhões de Euros, que o governo grego procura agora definir, e o governo alemão enviou a mensagem de que mais do que a aprovação é necessária a aplicação do que foi decidido, antes e depois das eleições. Por esse motivo, Atenas terá que enviar a Bruxelas um memorando assinado pelos partidos que apoiam Papademos comprometendo-se a respeitar austeridade aprovada e a que vier a ser adoptada, antes e depois do acto eleitoral, em princípio previsto para Abril, de acordo com o primeiro ministro instalado por Bruxelas. Até ao momento, Papademos continua a rejeitar a possibilidade de adiar a ida às urnas. Os partidos que apoiam o governo estão, por seu lado, em processo de desagregação política. O PASOK e a Nova Democracia expulsaram os deputados que votaram contra o plano de austeridade, reduzindo de 236 para 199 a maioria de que Papademos dispõe formalmente no Parlamento, O PASOK expulsou 21, entre eles um membro fundador, e a Nova Democracia 20. O neofascista LAOS, que entretanto se retirou da maioria e mandou votar contra o memorando da troika, expulsou, por sua vez, os deputados que, juntamente com mais alguns independentes, votaram a favor de Bruxelas. Enquanto no exterior o povo contestava o acordo, a sessão parlamentar caracterizou-se igualmente por arbitrariedades para que a aprovação das ordens alemãs fosse adoptada a qualquer preço. A vice-presidência do Parlamento rejeitou liminarmente e sem qualquer argumento a apresentação de uma moção pela coligação de esquerda Syriza exigindo o apuramento da constitucionalidade de todo o processo. “Ficou confirmada a vitória dos mercados sobre os Estados”, comentou o deputado Zeodors Dritzes, do Syriza, depois da decisão. Olli Rehn, o comissário europeu das Finanças saudou o “voto positivo de Atenas” mas acrescentou que Papademos tem de encontrar maneira de cortar os 325 milhões de euros suplementares. Papademos parece inclinado a atacar os pensionistas que ganham acima de mil euros com mais 15 por cento de cortes, uma vez que uma das suas ideias – tocar pela primeira vez nas despesas militares – tem recebido fortes avisos de que ao caos social e à desagregação política se poderá somar o descontentamento da frente militar, conhecida pelas suas tomadas de posição autoritárias. O exército grego é o quarto importador mundial de armamento e tem entre os seus principais fornecedores as empresas francesas e alemãs da indústria militar, que têm influenciado de maneira determinante as políticas de Berlim e Paris em relação a Atenas. Grande parte do endividamento grego está relacionado com o seu enorme investimento militar. Segunda-feira de manhã, o ministro alemão da Economia, Philipp Rosler, afirmou que a decisão parlamentar grega foi “apenas o primeiro passo”; a votação era “uma condição necessária”, acrescentou, mas o “decisivo” é a aplicação das reformas.
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