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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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A lição do super-espião

Cerca de um ano depois de ter abandonado funções, o super-espião e carismático chefe da Mossad israelita Meir Dagan abre o livro e deixa Netanyahu a falar sozinho na ameaça ao Irão. O homem mais bem informado de Israel diz numa entrevista ao programa 60 Minutos da CBS que o Irão não está actualmente a trabalhar na bomba atómica, que um ataque militar era uma "decisão incorrecta" que poderia ter consequências trágicas e não resolveria o problema. E diz ainda que, à sua maneira, o regime iraniano é "racional" no modo como aplica a sua "negociação de bazar". Para reflectir.

O caminho exemplar de Mandela PDF Print
Written by Helena de Carvalho   

“O princípio do fim da indignidade” na África do Sul aconteceu há 20 anos, quando Nelson Mandela foi libertado, afirmou o Arcebispo Desmond Tutu.


A libertação de Mandela foi também o início da libertação dos sul-africanos, que não ficaram indiferentes a um homem que lutou pela liberdade colectiva de um povo e que pagou o preço dessa batalha com 27 anos da sua própria liberdade.

A 11 de Fevereiro de 1990, Mandela, saiu da prisão, pelas mãos de sua esposa Winnie, e deu os primeiros passos em liberdade, depois de quase três décadas, para se juntar a uma fervorosa multidão que o aguardava nas ruas. A partir de então, caminhou sem descanso até conseguir conduzir o país a um regime democrático, que culminou em 1994, quando foi eleito, por sufrágio universal, o primeiro presidente negro da África do Sul. Foi o fim do sistema de apartheid, que os ideólogos baptizaram cinicamente como "regime de desenvolvimento independente".

A 11 de Fevereiro de 1990, Mandela provocou o reacender de um espírito colectivo no país.

Nesse dia, a imagem de Mandela apareceu em directo pela primeira vez no mundo inteiro. A sua imagem sorridente emocionou cidadãos de todos os países, muitos dos quais se inspiravam no seu exemplo para lutar pelas liberdades, contra a injustiça, contra as ditaduras, contra o racismo. Aquela imagem reforçava em muitos a convicção de que lutar vale a pena. Quando havia sido preso ainda não existia televisão, e durante mais de um quarto de século, para além de preso, Mandela tinha sido “interdito” - não era possível citá-lo nem mostrar as suas fotografias. Tentou-se apagar a imagem de Mandela da visão colectiva, mas não se conseguiu fazer desaparecer o homem das mentes de todos aqueles que o viam como um herói e como um símbolo da resistência.

Mandela sai da prisão com um sorriso nos lábios, de serenidade, mas não de apaziguamento pois a sua batalha ainda estava longe do fim. "A nossa luta atingiu um momento decisivo. A nossa marcha para a liberdade é irreversível", afirmou quando chegou à Câmara Municipal da Cidade do Cabo. A partir deste momento, Mandela não descansou enquanto não cumpriu a promessa de realizar as primeiras eleições livres, em 1994.

Aos 91 anos, este homem continua a ser o símbolo de um país em busca de reconciliação, mas onde ainda "há muitíssimo a ser conseguido. Os frutos da democracia devem chegar às mesas de todo o nosso povo", explica Desmond Tutu. Dezesseis anos após as primeiras eleições multirraciais, a África do Sul conquistou a democracia, mas enfrenta agora altos níveis de desemprego e criminalidade e uma desigualdade crescente entre pobres e ricos.

Tutú, que como Mandela foi condecorado com o Nobel da Paz pela sua luta contra o apartheid, disse que o país ainda vive numa democracia débil e que é preciso lutar contra as injustiças que permanecem depois da queda do regime: "Agora, 20 anos e quatro eleições gerais depois, a nossa incipiente democracia está a aprender a andar. Muito já foi conseguido, mas vários compatriotas sobrevivem em condições miseráveis, estudam em escolas mal-equipadas e apertam-se como sardinhas nos transportes públicos".

Aquilo a que Nelson Mandela apelou no seu discurso de posse ainda não aconteceu na práctica, porque, como o próprio afirmou, só existe democracia e igualdade no momento em que “haja justiça, paz, trabalho, pão, água e sal para todos”.

A África do Sul registou a perda de quase um milhão de postos de trabalho nos nove primeiros meses de 2009, contrariamente à promessa de criação de 500 mil empregos em um ano, que o presidente Zuma havia feito no seu discurso de posse em Maio passado.

Hoje, o arcebispo Desmond Tutu pediu aos sul-africanos que recuperem "o espírito do dia em que Nelson Mandela foi libertado. Devemos recuperar o espírito articulado por Steve Biko (um dos lutadores mortos na na luta contra o segregacionismo). Não devemos esquecer o passado".

"Lutei contra a dominação branca e lutei contra a dominação negra. Imaginei o ideal de uma sociedade democrática e livre em que todas as pessoas possam viver juntas, em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual espero viver. Mas é um ideal pelo qual estou disposto a morrer se for preciso". (Nelson Mandela)

 

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