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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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Cerca de um ano depois de ter abandonado funções, o super-espião e carismático chefe da Mossad israelita Meir Dagan abre o livro e deixa Netanyahu a falar sozinho na ameaça ao Irão. O homem mais bem informado de Israel diz numa entrevista ao programa 60 Minutos da CBS que o Irão não está actualmente a trabalhar na bomba atómica, que um ataque militar era uma "decisão incorrecta" que poderia ter consequências trágicas e não resolveria o problema. E diz ainda que, à sua maneira, o regime iraniano é "racional" no modo como aplica a sua "negociação de bazar". Para reflectir.

Soberania limitada PDF Print
Written by Miguel Portas   
Saturday, 19 November 2011 12:35

Na Grécia e na Itália chegou o tempo dos tecnocratas à cabeça dos governos. A eles compete a gestão do estado supremo das políticas de resgate, aquele em que os mercados assumem directamente o poder sobre as nações.

Nem Luca Papademos, nem Mário Monti foram a votos. Eles são simplesmente homens da banca alcandorados aos governos de países em crise.

Ambos vão governar passando por cima da convocação de eleições antecipadas. Com menos alarido e recebendo os elogios que são devidos aos salvadores de situações de calamidade, Papademos e Monti tornam realidade o sonho que Manuela Ferreira Leite confessou num dia de inusitada franqueza - o da suspensão da democracia por seis meses para resolver as dificuldades económicas do país.

Se na Grécia as eleições foram apenas adiadas, já em Itália Mário Monti alimenta a expectativa de concluir uma legislatura que vai até 2013. De “salvação nacional”, o seu governo mistura “técnicos” do berlusconismo e “técnicos” do centro-esquerda. O mix tem sido vivamente apoiado no exterior. Na verdade, é um governo que coloca o parlamento italiano ante um dictat muito simples – ou nós ou a escalada da especulação sobre a dívida ante um cenário de eleições antecipadas. A coisa parece funcionar... mesmo que a dita especulação tenha alegremente prosseguido depois da indigitação.

Puxo pela memória e recorro à história: nos anos sessenta, Leonid Brejnev, secretario-geral do então todo poderoso Partido Comunista da União Soviética, proclamou a sua doutrina da “soberania limitada”. Ela partia do princípio que se uma nação aliada ameaçasse trocar o socialismo pelo o capitalismo isso constituiria um problema para toda a comunidade socialista. Assim se justificou a intervenção do Pacto de Varsóvia na Checoslováquia em 1968, para derrubar Dubcek, um comunista que procurava renovar e refundar o socialismo conciliando-o com a democracia. Há quase 50 anos, Brejnev pôde impor a soberania limitada de uma forma grosseira, recorrendo a tropas e tanques.

Os tempos e os modos mudaram, os lugares também, mas não a doutrina. O que hoje se está a passar na Zona Euro cheira demais a soberania limitada. Os cínicos acham bem – quem empresta manda e ponto. Em nome desta inversão de legitimidade, a dupla de Merkel e Sarkozy já demitiu um governo que tinha acabado de vencer uma moção de confiança na noite anterior. Não contente, indicou o primeiro-ministro que lhe sucederia. Em Itália despachou Berlusconi e indigitou Mário Monti para concluir o programa de ajuste... apresentado por Berlusconi. Decididamente, o que antes se fazia com canhões resolve-se agora com spreads. Mas esta história vai acabar mal. Mesmo muito mal.

Artigo publicado originalmente no semanário Sol