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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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A lição do super-espião

Cerca de um ano depois de ter abandonado funções, o super-espião e carismático chefe da Mossad israelita Meir Dagan abre o livro e deixa Netanyahu a falar sozinho na ameaça ao Irão. O homem mais bem informado de Israel diz numa entrevista ao programa 60 Minutos da CBS que o Irão não está actualmente a trabalhar na bomba atómica, que um ataque militar era uma "decisão incorrecta" que poderia ter consequências trágicas e não resolveria o problema. E diz ainda que, à sua maneira, o regime iraniano é "racional" no modo como aplica a sua "negociação de bazar". Para reflectir.

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Written by Miguel Portas   
Saturday, 29 October 2011 12:02

O que há de pior no próximo orçamento? Nem sei por onde começar.

Talvez pelo mais óbvio: temos um orçamento para aprofundar a recessão em que o país mergulhou. Pergunto: um orçamento que nos atira ainda mais para o fundo pode ser coisa boa?

No governo pensam que sim. Passos Coelho acha que o essencial é superar as metas da troika com distinção e antecipação. A troika previa uma quebra no produto de 2011 menor do que a que vai ocorrer e o mesmo filme se projecta para 2012. A razão é simples: o Governo está a ser mais troikista do que a troika.

Fixem este número: -2,8 por cento. Ele é falso. No próximo ano a economia portuguesa cairá 4 a 5 pontos. Por um lado, o próximo orçamento apoia-se numa estimativa muito generosa para as exportações. Sucede que os dois maiores clientes dos nossos produtos não se estão a dar bem. As previsões de crescimento para 2012 na Alemanha não chegam a 1 por cento e a Espanha promete regressar à recessão. Por outro lado, a compressão do poder de compra das famílias está a ser bem mais brutal do que o garrote desenhado pelos governadores de Bruxelas.

O aumento da jornada de trabalho não compensa o mau ano económico que aí vem. Por um lado, a medida de Passos Coelho carece, para existir, da aquiescência dos trabalhadores. A futura lei permitirá sem obrigar porque a carga horária é matéria de negociação colectiva. Por outro lado, o efeito económico é marginal. Com efeito, um acréscimo diário de meia hora gratuita reduz os custos totais da economia em 1,1 por cento. Na indústria transformadora – onde se concentram boa parte das empresas exportadoras – os salários são apenas 12,4 por cento dos custos de produção. O aumento previsto reduziria estes custos... em 0,8 por cento. Só empresários raivosos comprarão guerras por uma mão cheia de nada. Com efeito, o problema das nossas empresas não é o de terem trabalho a menos, mas o de estarem a funcionar abaixo da capacidade instalada.

Fixem agora outro número: 13,4 por cento, a projecção para o desemprego em 2012. É outra estimativa que peca por optimismo. O tecido empresarial português é extraordinariamente frágil. A par da crise de crédito, a quebra no consumo privado revelar-se-á fatal para a sobrevivência de dezenas de milhares de micro, pequenas e médias empresas. A este respeito, o fim do IVA intermédio na restauração e nos congelados, bem como o aumento do imposto sobre os combustíveis, terão um efeito adicional altamente destruidor. Lá para o fim de 2012 contem com 15 por cento de desemprego. Dir-me-ão que a Espanha está pior, com 22 por cento. Pois... mas aí o Estado social ainda providencia um subsídio de desemprego muitos pontos acima do nosso. O verdadeiro problema com que o país se vai confrontar em 2012 é o de uma ruptura social profunda. Gregos nos fazem, gregos nos terão.

Artigo publicado originalmente no semanário Sol