| França acelera expulsão de estrangeiros |
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| Tuesday, 31 August 2010 15:33 | |||
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O governo francês anunciou que vai acelerar o processo de deportação de estrangeiros no âmbito de uma campanha em que acusa os ciganos romenos e búlgaros de serem responsáveis pelo aumento da criminalidade no país. A última vaga de deportações, na quinta-feira passada, atingiu 283 cidadãos europeus de origem cigana, elevando para 8313 o número de romenos e búlgaros expulsos desde o ínício do ano, contra 7875 durante todo o ano de 2009. Brice Hortefux, ministro do Interior de Sarkozy, declarou segunda-feira em conferência de imprensa que um em cada cinco crimes cometidos em Paris é praticado por um cigano e que essa proporção sobre de um em cada quatro no caso de o autor ser menor. De acorco com as estatísticas citadas pelo mesmo ministro, o crime praticado por romenos em França aumentou 259 por cento nos últimos 18 meses, sendo que muitos dos romenos de Paris são da minoria cigana. "Devemos alargar as possibilidades de proceder a ordens de deportação para pessoas que ameacem a ordem pública devido a actos repetidos de agressão e roubo", disse aos jornalistas o ministro da Imigração, Eric Besson. O modo como se processam as expulsões de estrangeiros pelas autoridades francesas, uma situação que já é comparada a uma limpeza étnica, revela que as medidas não são aplicadas apenas a cidadãos alegadamente envolvidos em repetidos actos criminosos. Os serviços de ingração estão a oferecer pequenas quantias em dinheiro a ciganos que aceitem ser expatriados mesmo que não estejam a contas com a justiça. A exemplo do que acontece com os kosovares na Alemanha, os romenos e búlgares que não consigam provar que têm meios de subsistência para viver em França recebem dinheiro para sair do país sem poderem transportar os seus haveres. As medidas abrangem cidadãos que estejam em trânsito e também ciganos nascidos e desde sempre residentes em França. "As repatriações voluntárias em troca de dinheiro não são solução", declarou o ministro romeno dos Negócios Estrangeiros, Teodor Baconschi. A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) foi a última organização a condenar as práticas assumidas pelo governo de Sarkozy afirmando que "ao implicar os ciganos e os cidadãos que viajam colectivamente em actividades criminosas com base em casos individuais só contribui para estigmatizar estas comunidades". A declaração foi feita através de Janez Lenarcic, director do gabinete de direitos humanos da organização. Grupos humanitários, eurodeputados, a comissão anti-racismo da ONU, a Amnistia Internacional e o Vaticano estão entre os sectores que condenam a decisão francesas. Organizações de ciganos romenos estão a lançar campanhas de boicote de produtos franceses em toda a Europa e apelam à realização de manifestações junto às Embaixadas francesas no continente. A Comissão Europeia permanece em silêncio sobre o assunto. A agência France Presse revela num despacho de segunda-feira que as instituições europeias estão ainda a averiguar a legalidade das medidas patricinadas por Sarkozy. O ministro francês dos Negócios Estrangeiros convidou os seus pares dos 27 a juntarem-se em Paris na próxima segunda-feira para discutirem o tema "asilo e imigração ilegal".
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