| Inspectores da AIEA voltam a Teerão |
|
|
| Monday, 20 February 2012 19:41 | |||
|
Uma delegação da Agência Internacional de Energia Atómica chegou a Teerão para debater com as autoridades iranianas o programa nuclear do país, alvo de controvérsia internacional e ameaças de guerra. A visita decorre numa situação onde avultam as contradições entre a reactivação da frente diplomática, que poderia diminuir a tensão, e a elevação do tom dos discursos e do conteúdo das sanções, que continua a agravá-la. Na semana passada o Irão enviou uma carta sobre a decisão de reatar discussões internacionais relacionadas com o seu programa nuclear, que alega ser apenas civil, e que, surpreendentemente, foi acolhida de maneira favorável em Washington e Bruxelas, o que raramente acontece. Ao mesmo tempo, e antecedendo os efeitos das sanções estabelecidas pela União Europeia, que não conhece de facto a realidade do programa, o Irão decidiu cancelar as exportações de petróleo para o Reino Unido e a França, facto que terá repercussões nas crises das economias destes países. A delegação da Agência Internacional de Energia Atómica é constituída por cinco membros e chefiada pelo inspector Herman Nackaerts. A visita está programada para dois dias e as notícias sobre o programa divulgadas pelas agências internacionais são contraditórias. Nackaerts diz que quer “resultados concretos” e pretende visitar a base de Parchin onde, segundo a teses norte-americanas, se têm realizado explosões experimentais consideradas importantes para a criação de ogivas nucleares. Ao mesmo tempo o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Ali Akbar Salehi, rejeitou para já a possibilidade de se realizar essa inspecção dizendo que os trabalhos da AIEA “ainda só agora começaram”. O papel de inspecção da AIEA tem sido alvo de polémica, sobretudo no Médio Oriente, acusado de ser orientado pelo Pentágono e a NATO. O exemplo mais importante desse comportamento, já ilustrado anteriormente pelo papel no Iraque antes da invasão, é o facto de esta agência da ONU nunca ter procurado investigar as notícias fundamentadas que circulam há muitos anos sobre a envergadura do arsenal atómico militar de Israel, o único existente na região.
|








