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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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A lição do super-espião

Cerca de um ano depois de ter abandonado funções, o super-espião e carismático chefe da Mossad israelita Meir Dagan abre o livro e deixa Netanyahu a falar sozinho na ameaça ao Irão. O homem mais bem informado de Israel diz numa entrevista ao programa 60 Minutos da CBS que o Irão não está actualmente a trabalhar na bomba atómica, que um ataque militar era uma "decisão incorrecta" que poderia ter consequências trágicas e não resolveria o problema. E diz ainda que, à sua maneira, o regime iraniano é "racional" no modo como aplica a sua "negociação de bazar". Para reflectir.

Irão estica a corda PDF Print
Monday, 08 February 2010 17:26

ahmedinadjad

Irão vai enriquecer urânio. Estados Unidos querem agravar sanções. Novos passos no pior sentido.

Mahmud Ahmedinadjad, o presidente iraniano, surpreendeu o mundo no início de Fevereiro ao anunciar a disponibilidade do país para permitir que o urânio necessário ao seu programa nucler civil fosse enriquecido no estrangeiro. Esta decisão parecia corresponder à aceitação das propostas formuladas pelas Nações Unidas sobre essa matéria. Admitiu-se que a iniciativa de Teerão pudesse ser uma cedência perante a intensificação da presão militar dos Estados Unidos com a realização de exercícios na região e o rearmamento de países vizinhos, designadamente a Arábia Saudita.

Os Estados Unidos e os seus mais próximos aliados no cerco ao Irão optaram por não reagir ao anúncio de Ahmedinadjad e os poucos comentários que foram feitos sobre o assunto caracterizaram-se pelo cepticismo. Numa posição conjunta divulgada entretanto, representantes norte-americanos e alemães afirmaram que nada tinham visto de novo na declaração iraniana.

Na sexta-feira,dia 5, logo a seguir a uma reunião entre representantes iranianos e altos responsáveis da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o presidente iraniano declarou publicamente a intenção de proceder ao enriquecimento de urânio a 20 por cento, decisão que é um desafio às posições internacionais patrocinadas pelos Estados Unidos em relação ao programa nuclear de Teerão. Ahmedinadjad explicou que a iniciativa é a resposta adequada às sanções internacionais tendo em conta o alegado aumento de necessidades de urânio em condições de fazer face aos tratamentos de doentes com cancro. De acordo com a intervenção proferida numa visita oficial, o presidente iraniano disse que o reactor nuclear de Teerão começa a ter falta de combustível e caso venha a parar será um problema para os doentes que precisam de terapia radioactiva.

Manucher Mattaki, o chefe da delegação iraniana à reunião na AIEA, anunciara, porém, que se tratara de um "bom encontro", nada fazendo então prever que os acontecimentos se precipitassem; o presidente da AIEA comentou, por seu turno, que o diálogo continua mas é necessário acelerá-lo para que sejam medidas concretas no âmbiito das propostas da ONU. Aparentemente o regime de Teerão pretende manter o programa de desenvolvimento nuclear enquanto mantém as negociações sobre as propostas de enriquecimento no estrangeiro.

As reacções dominantes a esta situação vão no sentido do agravamento das sanções a Teerão, sabendo-se, por outro lado, que a tensão militar continua a crescer. Robert Gates, secretário norte-americano da Defesa, declarou que "devemos ainda tentar um caminho pacífico para resolver o assunto" e o único que citou foi "o da pressão sobre o Irão", sendo para isso necessário "que toda a comunidade internacional trabalhe em conjunto". Um dos factos relevantes desta declaração é ter sido feita por um responsável pelo sector militar, que se encontrava acompanhado pelo homólogo francês, Hervé Morin.