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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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A lição do super-espião

Cerca de um ano depois de ter abandonado funções, o super-espião e carismático chefe da Mossad israelita Meir Dagan abre o livro e deixa Netanyahu a falar sozinho na ameaça ao Irão. O homem mais bem informado de Israel diz numa entrevista ao programa 60 Minutos da CBS que o Irão não está actualmente a trabalhar na bomba atómica, que um ataque militar era uma "decisão incorrecta" que poderia ter consequências trágicas e não resolveria o problema. E diz ainda que, à sua maneira, o regime iraniano é "racional" no modo como aplica a sua "negociação de bazar". Para reflectir.

Nova etapa na Irlanda do Norte PDF Print
Friday, 05 February 2010 17:58
Parlamento_de_Belfast Os principais partidos protestante e católico da Irlanda do Norte chegaram a um acordo que permite ao governo do território assumir o controlo da justiça e da administração interna.

O entendimento estabelecido após dez dias de intensas negociações teve como principais protagonistas o primeiro ministro e principal dirigente unionista, Peter Robinson, e o vice-primeiro ministro e principal dirigente do Sinn Fein no governo, Martin McGuiness. Os primeiros ministros britânico e da República da Irlanda, Gordon Brown e Brian Cowen, testemunharam o acordo e consideraram-no em condições de permitir um futuro mais tranquilo à Irlanda do Norte.

A transferência de Londres para Belfast dos sensíveis poderes judiciário e policial era o principal passo que faltava para concretizar o chamado acordo de sexta-feira santa de 1999. A transição está marcada para 12 de Abril, devendo o Parlamento da Irlanda do Norte pronunciar-se sobre o assunto já a 9 de Março.

Peter Robinson e Martin McGuiness manifestaram-se convictos de que o acordo tem condições para funcionar plenamente, salientando a sua importância por assentar em centenas de anos de conflito, violência, desconfiança e intolerância. Gerry Adams, principal dirigente do Sinn Fein, qualificou-o como "uma maravilhosa oportunidade e a base de um novo espírito para que todos possamos seguir em frente". As principais vozes contrárias ao acordo são ouvidas nos sectores unionistas mais conservadores, onde Peter Robinson é considerado "um boneco de neve". As facções mais extremistas contestam o facto de não terem tido conhecimento do andamento das negociações. A discussão parlamentar poderá fazer eco destas posições, tanto mais que alguns dirigentes do partido de Robinson, o Democrático Unionista, também manifestaram reservas.

Além de proporcionar a transferência dos poderes judiciário e policial, o acordo estabelece os mecanismos de relacionamento entre o ministro a designar e o resto do executivo, tendo em conta a sensibilidade das suas tarefas numa sociedade traumatizada pelo conflito. O provável titular do cargo será David Ford, figura prestigiada do Partido da Aliança, a mais importante organização transversal à sociedade da Irlanda do Norte, sem distinção de crenças.

O acordo cria ainda um grupo de trabalho para enquadrar o processo de definição dos trajectos das tradicionais marchas orangistas, que costumam ser problemáticos momentos de provocação entre a comunidade protestante e a minoria católica. Prevê ainda mecanismos para ultrapassar a "disfuncionalidade" do governo e dar andamento a leis que têm sido entravadas por este problema.