| O SOS da Mãe Terra em Cochabamba |
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| Written by Helena de Carvalho | |
| Saturday, 24 April 2010 09:14 | |
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A pequena localidade de Tiquipaya, em Cochabamba, Bolívia, juntou esta semana mais de 40 mil pessoas numa nobre cruzada para salvar a existência do nosso planeta. Entre elas estavam cinco Chefes de Estado, dois laureados com o Nobel de Paz, representantes de 181 Estados, activistas, cientistas e alguns poucos jornalistas, especialmente dos média sul-americanos. Será que o mundo ocidental se esqueceu de colocar este “pequeno” evento nas agendas de trabalho e da comunicação social?
Resoluções e informações da Conferência dos Povos
Os responsáveis pelo aquecimento global – as grandes potências mundiais - escondem-se atrás dos seus cavalos de guerra e parecem não admitir que esta batalha diz respeito a todos. Quando são eles que têm provocado o aumento das catástrofes naturais do planeta, são eles que têm produzido desenfreadamente por não ter nenhum objectivo para além do lucro, são eles que têm levado milhares de pessoas a deixar as suas terras e a tornarem-se refugiados climáticos, caindo num grau de pobreza mais profunda. E são também eles que obrigam os mais necessitados a pagar uma factura que não é deles – a dívida do clima permanece e condena aqueles que vivem em países subdesenvolvidos com governos que se mostram apáticos perante o desenvolvimento do sistema capitalista e a industrialização sem limites dos países ricos.
Com a convicção de que só a força da luta do povo pode atingir o respeito pela vida no planeta e o planeta em si, dezassete sessões de trabalho decorreram durante três dias em Cochabamba abordando as causas estruturais da mudança climática, os direitos da Mãe Terra, um referendo mundial sobre mudança climática, os refugiados do clima, a dívida ambiental, o protocolo de Quioto e a transferência de tecnologias e estratégias de acção.
Na proposta saída de Cochabamba existem dois instrumentos indispensáveis: um Tribunal de Justiça para o clima que condene os predadores da natureza, e a criação de uma Agência Mundial para defender os direitos da Terra, porque, sem uma organização para acompanhar os regulamentos estabelecidos nas cimeiras internacionais nunca se poderá obrigar as indústrias e países desenvolvidos a comprometerem-se. “Após Copenhaga e Cochabamba nós esperamos que o acesso aos recursos, a distribuição da riqueza e outras questões sociais sejam uma parte invariável da agenda, disse Marisa Matias, eurodeputada do grupo GUE/NGL. “De Cochabamba”, explicou, “saiu uma resposta dos movimentos de esquerda, ecológicos e sociais, grupos estes que começaram a integrar os problemas sociais com os ambientais como dois lados da mesma moeda; estes resultados terão uma influência construtiva nas negociações do México. A contribuição da Esquerda pode ser muito significativa porque os esforços para a justiça e a igualdade sempre foram parte do ideologia dos partidos de esquerda. A melhor maneira de encontrar soluções para a mudança do clima é envolver os povos, fazendo-os perceber que a crise do clima, a crise social e económica fazem parte da mesma família. Os trabalhadores, os níveis do GDP, os recursos naturais e a situação de populações vulneráveis pertencem à mesma dimensão social. Chega de conversas oficiais e de conceitos técnicos, é hora de ampliar o debate!”, concluiu Marisa Matias. A eurodeputada foi convidada a estar presente em Cochabamba mas não conseguiu deslocar-se devido a impedimentos resultados dos constrangimentos no tráfego aéreo europeu. “Propomos agora dar um passo em frente e começar a elaborar colectivamente uma declaração universal dos direitos da Mãe Terra”, declarou o presidente boliviano Evo Morales. “Isso irá estabelecer um quadro jurídico para proteger o ambiente natural cada vez mais ameaçado e elevar a consciência global sobre a Mãe Terra. Nunca esperámos chegar imediatamente a um acordo sobre uma solução global, mas temos a ambição de apresentar propostas concretas que representem uma abordagem fundamentalmente democrática, inclusiva e equitativa para enfrentar a mudança climática. Convidamos todos a fazerem parte deste diálogo urgente, que permanece aberto a todos os povos e todos os governos que coexistem neste planeta único e frágil!”, acrescentou Evo Morales no último dia da Cimeira dos Povos. O presidente boliviviano disponibilizou-se para integrar a delegação que irá fazer chegar as conclusões da Cimeira de Cochabamba ao secretário geral das Nações Unidas em Nova Iorque.Morales revelou que os assessores de Ban Ki-moon manifestaram o interesse deste em receber os representantes dos cinco continentes que lhe entregarão as resoluções elaboradas em Cochabamba.
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Esquecido ou não, este evento começou a travar uma batalha, uma batalha popular com todos aqueles peões que não se identificaram com os resultados de Copenhaga (se é que podemos falar em resultados), de todos aqueles que querem ter uma voz no jogo das negociações pois são também aqueles que mais sofrem com as mudanças climáticas apesar de serem os que menos contribuem para elas.
Se a solidariedade foi deixada para trás neste campo de batalha, que se pense ao menos na segurança colectiva do planeta e na responsabilidade que existe para com os que não provocaram esta crise. Mensagens de socorro são enviadas destes povos individualmente, mas não ecoam pelo mundo fora. Para unir estas vozes e torná-las mais fortes, o Presidente Boliviano, Evo Morales, convocou a Cimeira dos Povos, em Cochabamba, de onde saiu uma declaração conjunta sobre a urgência de um acordo vinculativo para todos e com todos. A próxima Cimeira de Cancun não pode simplesmente ser o fiasco de Copenhaga. Como explicou o Presidente boliviano, “não teria sido necessário convocar a Cimeira Mundial dos povos na Bolívia se a Cimeira de Copenhaga tivesse conseguido acordos que contribuíssem para a conservação da natureza, controlando as políticas de industrialização irracional. Nós queremos revelar as pretensões imperialistas do chamado acordo de Copenhaga numa declaração elaborada por uma minoria de países que procuram aumentar a temperatura global do planeta em mais de quatro graus centígrados, uma medida que traria consequências catastróficas para a humanidade". Nesse contexto, recordou Morales que "em Copenhaga as nações industrializadas desejavam impor um documento não para salvar a vida mas para alimentar a sua política ambiental contaminadora."
Chávez esteve presente e pediu aos líderes e dirigentes que participaram nesta cimeira para serem os mensageiros da proposta escrita pelos povos em Cochabamba para a Conferência das Nações Unidas. "Iremos lá (a Cancún) para ampliar nossa voz, pois sabemos que as nossas vozes são as vozes dos nossos povos. Pedimos o final do abuso, da violência e das potências mundiais para que o mundo continue a existir(...) Chega de diplomacia selectiva!”, disse Chávez.