Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".
Cerca de um ano depois de ter abandonado funções, o super-espião e carismático chefe da Mossad israelita Meir Dagan abre o livro e deixa Netanyahu a falar sozinho na ameaça ao Irão. O homem mais bem informado de Israel diz numa entrevista ao programa 60 Minutos da CBS que o Irão não está actualmente a trabalhar na bomba atómica, que um ataque militar era uma "decisão incorrecta" que poderia ter consequências trágicas e não resolveria o problema. E diz ainda que, à sua maneira, o regime iraniano é "racional" no modo como aplica a sua "negociação de bazar". Para reflectir.
As alterações climáticas, a poluição, o aquecimento global, as formas de os combater de modo humanista e capaz de salvar o planeta são temas políticos de flagrante actualidade. Esta uma das mensagens fundamentais de "O Clima farto de nós?", iniciativa que o Bloco de Esquerda está a promover este fim de semana em Lisboa. Ao contrário das teses neoliberais que depois proporcionam fracassos como o da Cimeira de Copenhaga, discutir a preservação da Terra é uma questão política, não cabe na amálgama tecnocrática, faz-se com fronteiras bem definidas entre a Esquerda e a Direita, entre o humanismo e o negócio, entre a defesa da vida humana e o lucro. Até prova em contrário, o clima está realmente farto de nós; cabe-nos fazer as pazes com o clima e colocar o assunto na agenda política no capítulo das prioridades absolutas. Associar-se a esta acção do Bloco em Lisboa é uma boa ideia e um acto de cidadania.