| Grécia agoniza sob o peso da miséria e a iminência de bancarrota |
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| Tuesday, 07 February 2012 13:55 | |||
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Os trabalhadores gregos entraram em greve geral na terça-feira enquanto o tecnocrata Papademos, colocado pela União Europeia à cabeça de um governo dito “de transição”, não consegue convencer os partidos que nominalmente o apoiam no Parlamento a adoptar novas medidas de empobrecimento da população, entre elas um corte superior a 20 por cento no salário mínimo, redução das pensões sociais e eliminação dos subsídios de férias e de natal. Nas instâncias europeias mais elevadas, onde ninguém quer assumir responsabilidades na relação de causa e efeito entre austeridade e bancarrota, o cenário de saída da Grécia da Zona Euro é cada vez mais evocado. “Pedem-nos mais recessão, que o país não pode assumir”, reconheceu Antonio Samaras, chefe do partido direitista Nova Democracia, dividido entre o apoio ao governo e a perspectiva a prazo de realização de eleições gerais. Outro é o estilo de Amadeu Altafaj-Tardio, porta-voz do comissário europeu das Finanças, Olli Rehn: “A verdade é que já estamos para lá de todos os prazos, a bola está do lado das autoridades gregas”. Sem o acordo entre os partidos que apoiam parlamentarmente o governo tecnocrático de Papademus, a troika não libertará o novo resgate de 130 mil milhões de euros para um país que as medidas de austeridade impostas pela União Europeia e o FMI mergulharam na recessão, num desemprego a rondar já os 20 por cento e num agravamento da própria dívida. Os partidos em causa são o Socialista, a Nova Democracia e o Laos, neofascista. O dinheiro do resgate é considerado urgente porque Atenas tem que reembolsar em 20 de Março títulos de dívida no valor de 14500 milhões de Euros e não está em condições de o fazer. A greve geral paralisou mais uma vez o país durante o dia de terça-feira. “Aconteça o que acontecer, o povo grego está condenado à pobreza e isso ninguém pode aguentar”, declarou Yannis Panagopulos, dirigente da central sindical GSEE, que representa os trabalhadores do sector privado. “O povo grego não é uma cobaia”, acrescentou. Ilias Iliopoulos, dirigente da central ADEDY, que representa os trabalhadores da função pública, sublinhou: “Não queremos saber se eles são forçados a aceitar estas medidas; o facto é que 500 mil famílias já não recebem um euro por semana e um milhão mais já só conseguem algum trabalho esporádico”. “O povo grego não pode carregar o fardo de quaisquer novas medidas. Se os nossos políticos são suficientemente loucos para aceitar o que os chamados salvadores dizem, se forem em frente com mais cortes e desemprego haverá uma explosão, a reacção será incontrolável”, acrescentou Iliopoulos. O novo pacote de austeridade que a troika pretende impor exige cortes superiores a 20 por cento no salário mínimo, redução dos valores das pensões sociais, eliminação dos subsídios de férias e de natal, o despedimento imediato de mais 15 mil funcionários públicos. Segundo a imprensa grega, todos os partidos envolvidos na “solução Papademos” admitem o princípio do reforço da austeridade mas não aceitam alguns “pormenores”, considerados essenciais para o acordo. “Os dirigentes políticos querem saber o que vão assinar”, assinala uma fonte partidária citada pelo britânico The Guardian. Theodore Pelagidis, professor de economia da Universidade do Pireu citado pelo mesmo jornal, afirmou que “o lado grego não tem cartas na manga; a questão não é sobre aceitar o resgate mas sobre o facto de os políticos quererem convencer os gregos de que não se submeteram às exigências dos credores estrangeiros e fizeram tudo para conseguir o melhor acordo possível. É verdade que existem pormenores dolorosos que têm de ser discutidos mas todos estes atrasos são realmente parte do espectáculo”. O primeiro ministro continuou a insistir com os dirigentes políticos durante o dia de terça-feira para que assinem imediatamente o acordo. Entretanto, segundo o mesmo jornal britânico, Lucas Papademos pediu ao seu ministro das Finanças para elaborar um cenário sobre as consequências sociais e políticas de uma eventual bancarrota. Um funcionário citado pelo jornal declarou que tal situação faria do que se passou na Argentina “um piquenique”.
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