| Um Lamento pela Paz |
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| Thursday, 04 February 2010 00:17 | |||
![]() Direito à própria língua, à própria cultura, à própria identidade. Direito de existir. Direitos a que todos os povos deviam ter direito. Mas muitos não têm. Os curdos ainda não têm.
Foi para pedir pelos direitos deste povo e pela resolução do conflito que marca a “mais numerosa etnia sem Estado no mundo” que se reuniram hoje, na mesma sala do Parlamento Europeu, políticos, defensores dos direitos humanos, laureados de prémios pela Paz e representantes de várias organizações não governamentais.
Muitos oradores e apoiantes não puderam estar presentes, por razões práticas ou políticas, mas todos deixaram uma mensagem de esperança na VI Conferência Internacional da “UE, a Turquia e os Curdos”.
“Desejo para os todos os povos do mundo, aquilo que conseguimos na África do Sul”- foi o desejo expressado nas palavras de Desmond Tutu. O ano de 1990 marcou a vida dos sul-africanos, como 2010 pode marcar a vida dos curdos, expressou o Arcebispo, numa mensagem escrita: “As coisas mudaram para melhor. De tal forma, que nunca mais poderão voltar atrás, mas para isso foi preciso o envolvimento das pessoas, dos políticos e dos exilados. Foi isso que fez com que os presos políticos, como Nelson Mandela, fossem libertados, foi isso que fez mudar a história da África do Sul.”
Emine Ayna, membro do Partido turco Paz e Democracia (BDP), explicou, no entanto, que a Turquia ainda não mostra abertura para o processo de paz e a pouca vontade política é evidente: “Há uma visível falta de vontade em acabar com as operações militares. Não se pode falar em “abertura” quando há uma barreira de violência policial. Mas o povo curdo está pronto para a Paz e mais esforços devem ser feitos!”
Desde 2005, que a União Europeia pede à Turquia que aceite as condições de adesão, mas entre elas está o respeito pelos direitos humanos e pelas minorias. “Um processo que tem tido avanços, mas que não pode acontecer de um momento para o outro”, afirmou Hasan Cemal, jornalista turco.
Mas a questão do reconhecimento da minoria curda, passa por perceber a importância da opressão sentida nas mais pequenas rotinas, “passa por ir à padaria sem medo dos aviões militares que sobrevoam a nossa cabeça. Se isso é possível em Ancara ou Bodrum, também deve ser possível para nós”, defendeu Leyla Zana, vencedora do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento.
E se na Europa é possível a coexistência de diferentes estados, com diferenças culturais e nacionais, porque não pode ser na Turquia? “A paz política só pode ser conseguida com a presença de todas as partes. E isto é o meu lamento pela Paz”, disse L. Zana.
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