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Tuesday, 25 January 2011 16:27 |
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As várias "Berlins" de Berlim entre 1900 e 1945 estão em exposição na Neue Nationalgallerie na Berlim de hoje. Tiago Ivo Cruz abre-nos o apetite para eventos a não perder.
A História numa cidade como Berlim tem um peso próprio que, por muito que se conheça e leia de antemão, provoca estranheza ao passado que sabemos que foi mas que nem por isso se torna real. Somos impelidos pela força bruta dos factos recordados a permanecer na Berlim que foi e que nunca deixou de ser. Sabemos o que aconteceu e onde aconteceu, sabemos da atrocidade humana também, e nem assim se torna fácil compreender as outras cidades que Berlim também foi e é hoje. 'die Symphonie der Grosstadt', de Walter Ruttman, filme mudo a preto e branco, realizado em 1927, abre a exposição agora em mostra na Neue Nationalgallerie sobre as Berlins que existiram entre 1900 e 1945. A exposição 'Modern Times', disposta cronologicamente, estabelece as relações directas e indirectas entre os artistas e as suas obras, os movimentos artísticos e os desenvolvimentos políticos e sociais e os seus efeitos na Berlim cidade até à ascensão ao poder do Partido Nacional Socialista e o despoletar da segunda grande guerra. Estamos por isso perante uma história da estética de Berlim no sentido forte da palavra. Vemos e ouvimos a força da Berlim da indústria e do aço e o dia-a-dia de um berlinense dos anos vinte através de Walter Ruttman, a Berlim da tensão política com 'O Agitador' (1920) de Felix Mueller seguido também de 'Agitador' (1931) de Curt Querner, e a Berlim da guerra com 'Invasão' (1945) de Hans Richter. Em paralelo as obras de Otto Mueller, Emil Nolde, Max Ernst, Oskar Neerlinger, László Moholy-Nagy e muitos outros contextualizam a visão simbólica que a sociedade berlinense tinha dela própria e dos tempos que se precipitavam, entre o colonialismo, o erotismo e a apatia (que afinal não é só portuguesa) da Berlim da primeira metade do séc. XX.
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